Amém Gente! Eu voltei…

Dois meses depois e dez quilos a menos, cá estou eu para postar neste humilde blog!

Uhhhh…quase posso ouvir os suspiros e alguns sussurros de:

- Ufa! Agora que ela voltou a escrever, Amém Gente que vai parar de falar tanto!

Há, há! Ledo engano.

Ando meio sumida, eu sei! Peço desculpas prá quem acompanha o blog, mas na verdade realmente não tenho tido tempo prá nada. Falta de assunto eu juro que não é, até porque os dias corridos me deram material de sobra prá escrever sobre os mais variados temas, o grande problema é que com tanta coisa rolando, falta tempo para organizar as idéias e poupar os leitores do mal que tem acometido meus convivas: O falatório desorganizado desta que vos escreve.

Para não perder o foco e os dentes (por escrever sobre alguns assuntos proibidos), acho melhor dividir em tópicos e apresentar um panorama geral dos últimos acontecimentos, assim fica mais fácil de retomar de onde parei, afinal, parece que faz uma eternidade que eu não apareço por aqui.

Mestre Shifu e seus seguidores

Criaturas de pouca fé! Se não crêem, eu vos digo em verdade: Sim, eu emagreci!  Podem averiguar se quiserem, finalmente consegui emagrecer!  Aliás, ta assim ó de convite prá que eu e alguns de meus convivas desfilemos no bloco dos anoréxicos no carnaval de 2010, porém, paranóicos cuidadosos que somos, ainda precisamos eliminar algumas gordurinhas de nossos corpichos. Sabe como é né? Pegou amor, aí fudeu! O fato é que ao que parece, Mestre Shifu conseguiu cumprir parte de sua árdua missão na terra. Agora só falta mesmo, transformar nossa preguiça em músculos.

Bruce Willis, Pai de Exu, Mestre Shifu e agora Gregory House

 E por falar em emagrecimento, Bruce Willis está sofrendo algum tipo de mutação e está pouco a pouco se transformando em Hugh Laurie, o Dr. Gregory House. Tudo bem que meu querido amigo, em termos de tolerância e personalidade estava mundo mais prá House do que para Bruce, mas o fato é que um belo dia eu olhei prá ele e levei um grande susto. Com a barba por fazer, quilos mais magro – muitos, inclusive, eu diria – eu podia jurar que se lhe restasse cabelo, o lendário Mestre shifu, ex Pai de Exu, agora também poderia facilmente ser confundido com o famoso médico. O problema é que House, como eu carinhosamente passei a chamá-lo não socializa mais. A padaria parece ficar a quilômetros de distância de sua morada. O cafezinho da segunda-feira anda as moscas, o cinema parece uma tarefa árdua demais para o seu corpinho magro. A grande vantagem é que além de estar mais galã, Mestre Shifu agora também poderá prescrever medicamentos controlados. Amém Gente!

 Robertina Botox parou de está alucinar finalmente. Após ingerir doses fortíssimas de medicamento controlado e sofrer de alucinações gravíssimas, finalmente parou de sonhar com o dia em que Edward Cullen (herói ou bandido?) viria resgatá-la de sua vidinha pacata, sugando-a (no bom sentido) para dentro da tela da TV onde viveria suas mais belas fantasias de amor com um metade-homem-metade-vampiro. Robertina está namorando e ao que me consta está muito feliz.

 Mãe de Lalá, uma outra de nossas convivas anda tão atarefada que até desencanou de fazer um “abaixo assinado anônimo” para trazer Edward Mãos de Tesoura Dentinhos Compridos para o Brasil. Até porque chegamos a conclusão de que não ia rolar mesmo, visto que nesse caso é que ele teria que ser no mínimo psicografado, coisa que nossa amiga Ghost até poderia fazer, mas este já é assunto para o qual eu não tenho autorização para escrever. Tudo calmo e tranquilo. Parece que a febre Crepúsculo passou. Ufa!

 Mãe Kiki parece estar vivendo uma fase estranha. Sua comunicação com o além deve está passando por problemas de ordem técnica. Não sei se é o provedor, o servidor ou o quê. Em tempos de vacas anoréxicas, nossa querida amiga já está pensando em enveredar pelos caminhos da psicanálise. Esse negócio de previsão é coisa de pobre. Pelo menos prá ela que não tem visto a cor do dinheiro. Após duas tentativas frustradas de levar a Tenda de Mãe Kiki ao estrangeiro, ela descobriu que sem talento para ganhar dinheiro por aqui, fica mais difícil ainda fazer isto em outro idioma. Ainda mais agora que acabou a novela das Índias e o pessoal parece não falar mais português.  Mas não sei se este negócio de conselheira vai dar em alguma coisa, afinal de contas, se no âmbito premonitório a coisa ta ruim, no amor então meu filho é melhor nem comentar. Mas tudo bem que Mãe Kiki já sabe que usar seu dom em benefício próprio é contra as regras, então ela vai ter que continuar dando pitaco na vida alheia mesmo.

 Continua…

Vocês ainda se lembram daquela criatura que não conseguia ficar em casa e que vivia em uma roleta russa social cheia de festas, baladas e convites para todo tipo de lugares? Que bom, porque eu não. Já faz tanto tempo que a minha vida era agitada que as vezes eu me pergunto se eu não sonhei tudo aquilo. Não sei se a culpa é do meu “circo” social ou minha mesmo, visto que após adquirir um sem número de livros eu tenho me mantido um tanto quanto ocupada no seio de minha morada. Vai vendo. Meu celular não toca mais. O nextel foi abandonado e aparentemente ninguém sentiu falta dele, pelo que me consta. Nem este humilde blog tem sido atualizado como deveria, como podem comprovar.

Se a culpa é do meu “circo” social, deve ser porque meus amigos resolveram se envolver em relacionamentos muito estranhos. Uma delas está perdidamente apaixonada pelo ator do filme crepúsculo e necessita urgentemente de ajuda profissional. Eu disse isso a ela, mas de que adianta? Ela esquece até de comer quando fica lendo aqueles intermináveis lua nova, eclipse, apocalipse, entre outros. Aquilo deve ser coisa do demônio mesmo. A pessoa vicia, só consegue pensar nos livros, fica presa, não socializa e quando socializa perde o interesse quando o assunto não é sobre esse universo. Eu vou tentar salvá-la, providenciando uma leitura mais leve e divertida, mas por enquanto ela fica lá, alucinando com o tal de Ed.  Que gripe suína que nada! Perigo mesmo é a Febre Crepúsculo que está se alastrando rapidamente. Tenho vários amigos em observação e a coisa tende a piorar, já que nesse caso usar máscara e álcool não adianta nada.

Tirando a parte dos meus amigos que está com a Febre Crepúsculo, acabei de mudar de emprego, o que seria ótimo para conhecer gente nova. Mas é que claro que alegria de pobre dura pouco e o que acontece é que  estou com uma sala só prá mim, mas isso somente porque é o único computador disponível, já que eu fui a última a chegar e todos os outros micros já tinham donos.  Enfim, como estou em cela sala especial ainda não conheço nem metade das pessoas que trabalham aqui e daqui a pouco todo mundo vai começar a achar que eu sou chata pra caralho, ou seja, voltemos aos amigos antigos.

Uma outra amiga minha está vivenciando uma fase um tanto quanto reclusa, já que acaba de terminar um relacionamento e ainda não está pronta para voltar à sociedade. Tenho um outro amigo que está morando longe e namorando uma criatura que ninguém conhece, nunca viu, mas ele jura que existe. Além disso, tenho uma outra amiga que está iniciando um relacionamento com alguém que está longe e, portanto passa mais tempo lá do que aqui. Ou seja, To fudida até segunda ordem.

Se vocês acham que eu estou reclamando de barriga cheia, gorda é a mãe! Ops, na verdade vai vendo, a coisa piora e muito. To tão sem vida social que o último convite que eu recebi foi da pseudo senhora Edward, que me convidou para ir a um pagode, mas sabe como é, eu o pagode temos uma relação de amor e ódio. É basicamente o seguinte: eu me amo e odeio pagode, então fica meio foda. Bem sabemos que o pagode é uma manifestação artística satânica, coisa do carcará para ludibriar as pessoas e fazer com que elas, sob efeito de drogas alucinógenas como o álcool cometam atos insanos dos quais passarão a vida se arrependendo. E encalhada como estou, ainda  que ela me garantisse que lá eu encontraria meu príncipe encantado eu diria: TÁ NA GARANTIA? ENTÃO EU VOU DEVOLVER ESTA BOSTA PQ ESTE PRINCIPE ESTÁ COM DEFEITO! ONDE JÁ SE VIU GOSTAR DE PAGODE?

Uma amiga sugeriu que eu escrevesse para a liga das mulheres, mas deixa quieto, afinal de contas seus amigos saberem que você está encalhada vá lá, agora, falar isso em rede nacional já é um pouco demais, acha não?  

Adoro os dias em que estou com a minha TPM atacada. Tem me dado um alívio danado passar alguns dias de mal-humor, mergulhada numa irritabilidade excessiva, fazendo cara de comigo-ninguém-pode quando um ou outro desavisado se aproxima da minha sala com alguma tímida solicitação. É claro que dependendo do caso a minha irritabilidade e intolerância se manisfestam de forma diferente, mas o fato de eu ser uma pessoa extremamente calma nos outros dias, o que eu diria até boazinha demais me dá a prerrogativa de nestes dias, externar todos os meus descontentamentos, chorar as minhas mazelas e três dias depois voltar a ser a pessoa doce e afável que sou.

Prá ajudar, esses dias li em algum lugar que o caminho do verdadeiro amor jamais corre desimpedido. Correr? Estamos realmente falando do-meu-verdadeiro-amor? Estamos mesmo falando da-minha-PORRA-de-vida-sentimental? Há-há! Correr só se for montado num jegue manco,  capenga, ou quiçá defunto, sei lá. Claro que não. Kie e vida sentimental não andam na mesma frase a menos que venha acompanhada de palavras como ausência, deprimente, patético e por aí vai. Mas beleza, porque mesmo que eu não tenha a menor chance intenção de vir a me casar algum dia, ainda bem que eu não vivo na Índia, onde correria o serio risco de  ser rechaçada no mercado. É como dizem por aí, quando Deus fecha uma porta está na verdade se preparando para bater com a próxima bem no nosso nariz. O fato é que a TPM está acabando, a minha gordura não, e eu estou encalhada e irritada até segunda ordem. É justo então que minha vida profissional ande as mil maravilhas, certo? Errado.

Há- há!

Esses dias meu chefe entrou na minha sala. Eu acabara de fazer um relatório completo narrando todas o status de todos os nossos clientes, tomando o cuidado de explicar didáticamente todas as ações que eu estava realizando para cada um deles. Ao que ele saiu da sala sem emitir nenhum som, para mas tarde, tomar a liberdade de  me perguntar a mesmíssima coisa duas ou três vezes só naquele dia. Mas esse é um daqueles casos em que a irritação deve ser mais contida, e eu não poderia dizer a plenos pulmões o que exatamente estava pensando naquele momento. Ah não, isso seria loucura. Embora a TPM seja considerada atenuante, ah, enfim…deixa prá lá

Para completar a semana dos infernos eu ainda tive mais uns quinze problemas no trabalho ao que tentei resolver tudo, quando acabei chagando a conclusão de que me sentia muito infeliz desempenhando aquelas tarefas. Senti que muitos dos meus talentos estavam sendo desperdiçados e percebi que não adiantaria ficar dando murro em ponta de faca, já que não era uma questão lógica, e sim uma questão de filosofia. Se não pode vencê-los, melhor se afastar deles, já dizia o ditado. Ou não.

Portanto é isso. A falta de uma vida sentimental descente e que me faça enxergar o mundo de uma forma digamos, mais colorida, aliada a minha completa irritabilidade no trabalho e todas as sensações da TPM forte e violenta que me acomente me levaram a um denominador comum. Minha vida estava precisando urgente de uma reviravolta, das boas, se é que me entendem.

Ninguém está de fato preparado para lidar com a morte. Não acredito que exista, nesse mundão de Deus, alguém com a fria capacidade de lidar com o assunto ou com o fato de forma tranquila.

A morte do rei do Pop, a morte da pantera, a morte de um monte de gente num vôo ou outro, a morte de um amigo querido, de alguém que poderia ter sido o grande amor da nossa vida, é o que faz pipocarem os textos sobre o assunto, as reflexões e as idéias daquilo que ali distante no noticiário ou no mais íntimo do nosso coração, tem a capacidade de nos fazer pensar, e agora?

Todo mundo para, pensa, olha pro lado e analisa. No final, lá vem a reflexão batida e amarga: 

- Prá morrer, basta estar vivo.

E acreditem, não basta.

Não basta estar vivo e morrer. A morte é certeza absoluta. O desafio é a vida. Prá morrer é fácil, difícil mesmo é escapar dela. Que ela vai chegar é certeza, então o que a gente pode fazer como melhor resposta é viver da melhor forma possível prá que não sobre nenhum arrependimento quando o desconhecido dia da nossa morte chegar. Esperar por ela é fácil. Vivê-la intensamente, embora seja a melhor parte, para alguns, dá um trabalho danado.

Além da overdose de assuntos funestos dos últimos tempos, o ultimo episódio da temporada de Grey’s Anatomy foi o mais marcante de tudo que eu li, vi e ouvi. Ao som do Greg Laswell com a música Off I Go, Meredith finaliza o episódio da quinta temporada, e ali eu desidratada analisando cada uma das suas palavras, dividida entre a reflexão e o medo do que nos reserva a próxima temporada  do meu seriado favorito (sim eu sou viciada em séries de TV).

“Você disse? Eu te amo. Eu não quero viver sem você. Você mudou a minha vida. Você disse? Faça um plano. Tenha um objetivo. Trabalhe por ele, mas de vez em quando olhe em volta. Absorva tudo. Porque isto é tudo.  E tudo pode acabar amanhã.”

E você? Disse? Disse a todas as pessoas, disse tudo aquilo que deveria ter dito? Fez aquilo que naquele momento não lhe parecia urgente, mas de que poderia sentir uma falta enorme mais tarde?

A data da nossa morte é desconhecida, mas a nossa vida inteira não. É por isso que temos a obrigação de ser feliz, de fazer os outros felizes hoje e não amanhã. Não devemos engolir mais sapos do que necessário, nem deixar as coisas prá resolver depois.  Devemos viver intensamente hoje, agora. Não inconsequente, mas intensamente. É justo que façamos assim. É necessário que façamos assim. Porque tudo pode mesmo acabar algum dia.

E então? Você disse?

Na minha família convivi com muitos relacionamentos que não deram certo e alguns poucos que deram. Minha avó casou-se com quinze anos e desconfio que tenha sido traída muitas vezes. Dizem que amava muito o meu avô. Com quatro filhos no colo, ficou viúva muito cedo. Casou-se mais tarde, mas eu sempre ouvi dizer que não foi por amor. Casaram-se, pois se sentiam só e um fazia companhia ao  outro. O meu primeiro avô eu não conheci, comprei o que a minha avó vendeu e comprei a admiração que o meu pai trazia nos olhos pelas poucas lembranças que tinha. O meu avô de verdade, foi o segundo.  Sei pela minha própria experiência que era uma pessoa incrível. Eu tinha por ele uma admiração estranha, uma espécie de afinidade ou simpatia que quando pequena não entendia como ele podia não ser o meu avô de verdade.  A vida também me privou de sua companhia cedo. Não entendia direito a morte naquela época, mas sabia que sentir saudade de alguém que se ama é verdadeiramente a mais dilacerante das dores, seja esse o tipo de amor que for. Mas voltando a esse casamento “sem amor”, e pensando cá com os meus botões, questiono. Como é podiam, ele e a minha avó, dizer que não se casaram por amor? Não brigavam, não se odiavam. Eram companheiros e tinham grande respeito um pelo outro, dividiam a mesma casa e faziam muitas coisas juntos. Quando eu passava por lá nas minhas férias eles estavam sempre sorrindo, brincando e se divertindo comigo. Diabos! Se o que tinham um pelo outro não era amor? E se não era, o que era então?

Não conheci alguém na vida que tivesse mais manias do que o meu avô. O dia dele era cronometrado. Tinha hora até para ir ao banheiro se bobeasse, mas minha avó achava até engraçado e por mais que não concordasse nunca atrapalhou a sua minuciosa rotina, não só respeitava, como até se divertia com isso. Poucas vezes meu avô saiu da rotina. Saímos as 7 da manhã para ir a padaria. Ele encontrava meia dúzia de amigos já de idade avançada e ficávamos papeando até por volta das onze horas. Tudo que já tinham vivido no mundo era narrado com paixão. Falavam sobre a vida, seus feitos, sobre política e economia, tudo aquilo que dificilmente prenderiam a atenção de uma garotinha de oito anos, mas eu ficava ali, tomando sorvete e entretida na conversa do grupo de senhorzinhos. Ficava lá, besta, admirada. Meu avô de todos era o mais elegante. Saia de terno e perfumado todos os dias não importava aonde fosse.  Tinha hora marcada até prá ser rebelde. Saindo da padaria íamos de carro até o limite do município vizinho. Minha avó sempre o proibia de ir até lá, mas essa era a sua rebeldia, pura e simplesmente pela diversão de cruzar o limite de municípios. Quando chegávamos ele dizia: Não vá contar a sua avó que fomos até aquele lugar ein? E minha avó já começava a brigar. No final da aventura, todos caíamos na gargalhada durante o almoço. Servido pontualmente ao meio-dia. 

A casa da avó da gente é sempre o melhor lugar do mundo. E no meio daquela organização toda até poderia ser uma chatisse, mas não era. A casa da minha avó tinha tudo que a casa da avó da gente tem de bom. Eu era feliz ali, as minhas lembranças não poderiam ser mais felizes. Então me digam, como poderia ser aquela, uma família sem amor?

Portanto, se o que a sociedade chama e entende como amor se resume a uma desculpa para justificar pais que matam filhos por amor a uma religião, filhos que matam pais por dinheiro, cônjuges que se matam por ciúme, vidas infernais, relacionamentos destruídos, ressentimentos do passado ou qualquer outra coisa que justifique esse tal de amor pintado desta forma, gostaria então, humildemente de renunciar a este sentimento. Vamos parar com essa história de chamar de amor, sentimentos como orgulho, ciúme, inveja ou até maldade. Amor não pode ser. E eu prefiro excluir a tal palavra do meu contexto do que justificá-la em sua mais absoluta falta. Não importa que nome tenha, o importante é que respeito, carinho, amizade, compreensão e todas as outras podem até não significar amor, mas se não tiver, podem fazer uma falta danada na construção da palavra. Ô se faz.

Nós não sabemos nada de jornalismo mesmo. Enquanto nos preocupamos com a gripe suína, com os escândalos da politicagem brasileira e discutimos a não obrigatoriedade do diploma, ficamos prá trás, obsoletos. Essas coisas acontecem todos os dias, mas a morte do rei do pop não. Vamos dar uma pausa nessas discussões monótonas, coisas tão cotidianas, besteirinhas rotineiras e vamos transformar a morte do rei do pop em um show, algo como se ele mesmo já tivesse deixado planejado. Vamos abrir espaço nos noticiários para mini-documentários sobre a vida, carreira e morte do rei, e depois os documentários repetem o feito, as notícias, as denúncias e os escândalos a gente discute depois, se sobrar tempo, afinal elas continuarão a existir.

Não estou dizendo que a cobertura da morte de Michael Jackson na quinta-feira, 25, não tenha que ser noticiada, o que me preocupa é quantas vezes e de que forma a notícia será explorada. A morte dele é indiscutivelmente um marco histórico, mas fazer disso um interminável plantão de notícias não dá. Os telejornais foram transformados em documentários sobre a vida do cantor. Os escândalos em que se envolveu, sua vida excêntrica e seus costumes viraram a coqueluche do momento e tudo isso vai de nada a lugar nenhum, já que a única coisa que temos são suposições e curiosidades.

Enquanto isso, enquanto seus vídeos são exibidos em todos os noticiários, em todos os programas de TV, as discussões continuam. Teria sido ele um gênio ou um louco? Respostas que até hoje não tínhamos e agora buscamos de maneira frenética, sem conseguir separar a pessoa do artista. Ou ele é um ou é outro. E a mídia vai lá esmiuçar tudo. A overdose Michael Jackson ainda não acabou, mas daqui a pouco vai ser substituída por outra mais fresquinha, e vai sobrar cada vez menos tempo para a imprensa falar de assuntos que precisam estar em evidência, que precisam ser discutidos. Mas esses assuntos sem graça, rotineiros, não vendem jornais e nem revistas, do contrário se bobear, rende processo para o jornal que a divulgar. Portanto vamos aproveitar o burburinho e nos esconder embaixo da fumaça causada pela morte do rei do pop, até que uma nova cortina de fumaça seja lançada.

Só por um tempo, não vamos falar de bobagens. A gripe suína não pode fazer mais sucesso que o rei e cá entre nós, deixem o Sarney em paz, afinal de contas ele não é o único corrupto do Brasil e pelo jeito corrupção por aqui, é pré-requisito.  Como disse o nosso ilustre presidente, nos apegamos demais a notícias ruins. É avião que cai, gente que mata, falta de educação, falta de moradia. Que saco! Vamos noticiar só coisas boas a partir de agora então. Vamos noticiar todos os vôos que chegaram a seu destino com os passageiros são e salvos. Vamos noticiar que nenhum famoso nacional ou internacional faleceu naquele dia, e quem sabe dizer.:

- Hoje pelo menos, nenhum político se envolveu em algum caso de corrupção. Tenham todos uma boa noite!

Aliás, ouvi dizer que o nosso querido presidente quer transferir sua residência para a Terra do nunca, afinal esse país aqui anda pessimista demais.  

O fato é que daqui uns dois anos aquele assassino vai ser julgado, vão descobrir porque aquele avião caiu, aqueles senadores corruptos estarão soltos e torrando os nossos milhões, após renunciarem a seus cargos.  Mas isso a gente pensa lá na frente, quando der,  isso é claro se não for mês de carnaval, ano de eleição, ou copa de mundo. 

Amém Gente!

Pessoal, meu post está no Bebendo Fumaça, blog da Cafeína, que além de escrever sobre os mais diversos assuntos, sempre abre espaço para que eu publique meus textos lá!  Obrigada Cafê, pelo apoio de sempre!

O fim da obrigatoriedade de diploma para os jornalistas ainda vai dar o que falar. Prá quem ainda não sabe, o Supremo Tribunal Federal, decidiu nesta quarta-feira (17) derrubar a exigência do diploma para exercício da profissão de jornalista. Foram oito votos a um. o Relator do processo, o presidente do STF, Gilmar Mendes, concordou com o argumento de que a exigência do diploma não está autorizada pela Constituição. Em seu voto, Gilmar Mendes sugeriu que os próprios meios de comunicação exerçam o controle sobre a contratação de seus profissionais. Ele comparou ainda a profissão de jornalista com a de chefe de cozinha. “Um excelente chefe de cozinha poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima estarmos a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área”, comparou. Acho que foi uma comparação infeliz. A faculdade enriquece e muito o conhecimento específico para todas as áreas, porém a comparação só demonstra que o nosso magistrado não possui argumentos coerentes para defender o seu voto.

Sou profissional da área de comunicação há seis anos e embora ainda não tenha concluído a faculdade, como não existe obrigatoriedade de diploma para o exercício da atividade publicitária, não encontrei restrições em nenhuma das três agencias em que trabalhei. Sou uma das pessoas que defende a idéia de que o exercício da atividade é infinitamente mais enriquecedor, mas exige muito mais esforço e dedicação do profissional que resolve enveredar por este caminho. O ideal seria que todos os jovens pudessem estudar e praticar as teorias que aprende, mas a grande verdade é que a maioria dos estudantes que procura estágio na área não consegue sequer receber um salário que arque com as despesas de sua própria faculdade. Como precisam estudar e trabalhar para sobreviver, a grande maioria não consegue concluir o curso ou acaba inadimplente, a despeito dos incentivos que o governo oferece.   

Resumindo, ao passar oficialmente aos veículos a responsabilidade de selecionar os profissionais que exercerão a profissão de jornalista daqui prá frente, o Supremo pode ter gerado uma polêmica ainda maior. Talvez a não obrigatoriedade do diploma não seja a maior questão e sim a qualidade do ensino oferecido aos jovens universitários no Brasil, já que a medida defende que o diploma é um mero detalhe.  Na minha opinião, o que forma um bom profissional não é somente o conteúdo oferecido pelas universidades e sim o esforço e a dedicação dos profissionais que desejam conquistar o mercado de trabalho e que nem sempre possuem recursos para cursar uma universidade.

Se o problema é a competência, tá tudo certo. Tá assim ó de jornalista talentoso sem diploma. E com a polêmica, os meios de comunicação certamente cuidarão de avaliar seus critérios de seleção.  Sabemos que estes farão a lição de casa, o problema é que enquanto a gente discute a medida, ainda meio tonto pelo efeito da fumaça, uma outra galera, logo ali, aproveita o burburinho para construir mais castelos, empregar mais parentes, tirar férias com a família ou encontrar formas cada vez mais criativas de gastar o nosso dinheiro, afinal de contas prá isso, não precisa de diploma nem de talento. E é lá, bem onde  falta competência,  que sobra cara de pau.

Acabou o dia dos namorados e o lance é o seguinte: Eu estou de TPM e TPM da grossa, forte, violenta. Sei que ninguém tem nada a ver com isso, mas sinto que se faz necessário explicar pelo menos um pouquinho, por que os textos do blog andam tão lúgubres ou carregados de certa melancolia. Esclareço que além da desorientada circulação de hormônios dentro do meu corpinho decrépito, a proximidade o maldito tal dia dos namorados frente a essa minha solidão, tem mexido mais ainda com os meus hormônios, mas prometo que este vai ser o último post mencionando o dia dos namorados, até porque amém gente! Acabou a patacoada. A menos que eu receba e-mails inflamados, comentários ou pedidos para que eu volte a tocar no assunto, eu não vou mais falar sobre isto, pelo menos este ano. Tô enjoada de tanto tocar no assunto e não é só porque eu estou solteira não, a náusea que me acomete advém do fato de toda e qualquer data do calendário promocional ser tratada de forma tão comercial e tão marcante que não tem como não cansar.  Publicitário que trabalha com o varejo sofre uma espécie de overdose de data comemorativa que é uma loucura. Eu sei que são ossos do ofício, mas tem hora que cansa ver tanto anúncio, tanta conversa, tanto documentário e tudo sempre sobre o mesmo assunto.

Eu posso afirmar sem sombra de dúvida que namorar é bem melhor do que estar solteiro. Mas precisa valer a pena. Não adianta ficar com alguém por medo de solidão ou por carência. Já dizia Ana Carolina que ficar sozinho é prá quem tem coragem, mas chega uma hora em que você precisa ser feliz, e se a pessoa que está com você não está te ajudando, acho que vale a regra do antes só e o resto vocês já sabem.

Imagina o exemplo: Você começa a namorar, está feliz alegre e pirilampa. Encontrou seu príncipe encantado e tem a certeza absoluta de que não irá mais morrer sozinha. O Buraco da morte deixa de ser uma opção válida, ufa! Vocês serão felizes para sempre, nada nem a ninguém no mundo pode estragar tanta felicidade, vocês desfilam por aí e fazem as pessoas coçarem o cú morrer de tanta inveja. Após formalizar (ou não) o pedido de namoro, casamento ou afim, coisas estranhas começam a acontecer. Você não suporta as manias dele, ele não suporta as suas. Você começa a achar que a vida de solteiro é muito mais interessante do que essa vidinha meia boca que vocês estão levando, afinal de contas solteiros tem liberdade e namoro é sinônimo de absoluta falta de liberdade. Todo e qualquer ato sexual vira feijão com arroz e com o passar do tempo o que já era sem graça, vira lenda, e você começa a rezar prá não ter que fazer mais.  A carência faz com que você (não eu!) comece a imaginar o porteiro do seu prédio, suado e sem camisa indo consertar uma lâmpada na sua casa, jogando charme. O Sêo Zacarias, pessoa que está entre 57 e a morte, ele mesmo, afinal de contas seu padrão caiu, você engordou e nem de longe lembra aquela mulher sensual e poderosa que era antes, escondida dentro desse conjunto de moleton velho provavelmente herdado da sua avó. Ele também já não é mais aquele, aqueles pneuzinhos estão acumulados onde na verdade deveriam haver gomos, aquele cabelo por cortar, a barba por fazer, te dão a nítida impressão de que o homem por quem você se apaixonou foi abduzido por um grande ogro-extraterrestre? Brigas e discussões intermináveis ou silêncio absoluto, ambos dilaceradores. Prá ele você virou uma bruxa e prá você ele é um sapo. Antes vocês se tratavam por apelidinhos ridículos carinhosos, agora, quando conversam, se ofendem ainda que mentalmente.

É claro que ninguém quer um relacionamento assim, é claro que a coisa nunca chega a esse ponto porque antes disso as pessoas recuperam o seu amor-próprio e decidem que se for prá ficar junto numa relação assim, o melhor mesmo é ficar sozinho certo? Errado.

É como se no início de uma relação, ambos assinassem um documento, carimbado, lavrado em cartório com a marca da bunda de ambos, abrindo mão da própria vida e de todas as coisas que fizeram parte dela até então. Entregam as rédeas da própria vida na mão do outro, estes por sua vez já não davam conta de si, e ainda tem mais uma vida prá cuidar. Aos poucos a individualidade vai desaparecendo e ao invés de lutar para que se tornem melhores, acabam contribuindo para que ninguém cresça ou saia do lugar. Você que sempre sonhou em viver um conto de fadas percebe que embora tenha bruxa e sapo no meio, nem de longe é o ideal romântico que alguém desejaria ter na vida. Acabamos acreditando que isso é tudo que podemos adquirir de uma relação a dois. Afinal, dá uma preguiça danada começar tudo de novo ou ceder um pouquinho pra fazer a coisa dar certo. Tem gente que cede, exagera, se perde. Acha que vai morrer por amor e de tanto que diz amar uma pessoa, aprisiona a pobre criatura dentro daquele enfadonho relacionamento.

O que todo mundo chama de amor, é posse, é status, é ter alguém a qualquer preço. Ainda que nada tenham a ver um com o outro, nem mesmo a vontade de estar ali. Aquilo que eu cresci sabendo claramente que não era amor. O dia dos namorados não foi feito apenas para os casais lotarem os bares, locadoras, entupirem o trânsito, as pizzarias, os motéis e os cinemas. Não adianta usar o dia dos namorados para fingir que está tudo bem e amanhã esquecer tudo. Porque se for assim eu posso afirmar sem medo de errar, que bom mesmo é ficar solteiro.

Gente! Este humilde blog está prestes a completar um ano, com isso, na intenção de postar algum texto antigo me deparei com a narrativa básica: “Como perder um homem em dez dias ou mais”. Analisando o texto, percebi uma estranha semelhança com os últimos acontecimentos da minha vida pseudo-sentimental e quase posso afirmar que identifiquei um padrão de acontecimentos. Se isso não é obra do cosmos – visto a coincidência das datas – nem imagino o que mais pode ser. Então vamos aos fatos:  Todo mundo sabe que a minha vida sentimental anda mais parada do que tartaruga com sono, mas como a gente não pode desistir, acaba vez ou outra aceitando um ou outro evento social prá dar aquela forcinha básica ao universo, afinal de contas debaixo da liga dos edredons fofinhos é que eu não vou conhecer o grande homem da minha vida não é mesmo?

Sabadão, após rodar por um significativo número de bares e eu e a minha amiga resolvemos dar uma paradinha em um estabelecimento onde havia uma estranha manifestação cultural chamada “samba de raiz”. Vai vendo! Lá pelas tantas alguém vem falar comigo e eu munida de uma alegria quase nula acabei dando uma chance para o corajoso ser e nem mesmo uma de minhas famosas frases foi usada durante o colóquio. Surpresa geral. O cara, a despeito de todo tipo de porcaria existente no mercado, era uma pessoa extremamente bacana e passamos a noite toda conversando agradavelmente. Acabamos a noite cada um na sua casa (antes que imaginem coisas esses despudorados leitores), fomos cada um pro lado e quem sabe o que o destino poderia reservar para os dias que se seguiriam? Quem me conhece sabe o que poderia acontecer. Ou o cara era foragido da justiça, ou  casado ou então ele era apenas fruto da minha imaginação carente fértil. Após descobrir que o bonitão não estava disponível para preencher o cargo de “possível candidato a Pai Kiki” , pois já possuía uma namorada, percebi que realmente quando a esmola é demais o santo que não desconfia é trouxa, e lá continuei eu, sozinha, macambuzia e sem nenhuma outra possibilidade para aplacar a minha solidão.

Quem está solteiro sabe que os amigos que já encontraram a tampa de suas respectivas panelas tentam ao máximo ajudar o próximo indicando ou apresentando amigos que também estão solteiros. O que a gente esquece é que quando se trata de relacionamentos já é muito difícil encontrar alguém que combine com a gente, então imagine quando isso passa pelo crivo de outra pessoa?  De vez em quando algum dos meus amigos  resolve dar uma forcinha básica para acabar com a minha solteirice e tem a brilhante idéia de me apresentar algum candidato. As vezes dá certo e a coisa rola, mas depois de um tempo a gente percebe que a pessoa escolhida poderia ser perfeita para o amigo que te apresentou e não prá você. Portanto caros amigos solteiros fujam dos encontros arranjados como o Diabo da cruz. Desastre completo. Quer dizer, não foi um desastre completo, pois o candidato e questão, diferentemente dos outros homens que eu já conheci, não fez a menor questão de esconder nenhum dos seus defeitos apenas para me agradar. O que me poupou o tempo para que eu mesma pudesse descobrir que ele realmente não tinha nada a ver comigo. Ponto prá ele, pelo menos nesse quesito.

O fato é que com a proximidade do dia dos namorados percebi que eu, assim como nos últimos dois anos, continuo sozinha, mas isso não é definitivamente uma coisa ruim. É preciso ter paciência, encontrar alguém bacana não é como ir à feira e escolher um mamão com a carinha melhor. Não acredito em homem perfeito, aquele engravatado perfeitinho com covinhas no rosto, com sorriso de comercial de creme dental e nem naquele cara engomadinho e bem humorado de comercial de margarina. Aquele namorado lindo estampado no outdoor do shopping e aquele deus grego do catálogo da última coleção de cuecas da Hugo Boss só existem mesmo ali, naqueles pedacinhos de mídia feitos para mexer com a imaginação da gente. E nesse quesito cumprem bem o seu papel. A gente surta e passa semanas apaixonada pelo Brad Pitt em Tróia e depois se esquece dele porque outra paixonite tomou conta do seu coração, afinal lançaram PS eu te amo e as moçoilas estão agora brigando para sonhar com o Gerard Butler. Paixão platônica faz a vida ter mais graça, é divertido, mas a gente sabe que quem é de carne e osso precisa de muito mais prá viver. Os galãs da publicidade e do cinema são o nosso ideal de beleza sim, mas mulher se apaixona mesmo é pelo jeito. Bonito, engraçado, cheiroso, charmoso e encantador são apenas algumas das características que nove entre cada dez mulheres citam, antes de definir o seu parceiro ideal. E não é só o sexo feminino, parece que a maioria dos homens também prefere um jeito encantador à pares de pernas ou uma bunda qualquer.  Dados oficiais eu não tenho, mas posso providenciar para um outro post qualquer.

O fato é que o cara perfeito pode ser o mais imperfeito dos seres, mas é ele que vai conquistar o coração da gente porque só ele tem o jeitinho especial capaz de fazer isso. Esse jeito é uma coisa que ninguém explica. Pode ser o sorriso, pode ser a voz, pode ser o abraço, uma risada ou um jeito qualquer que fez você notar aquela criatura ali no meio de outros tantos.  Jeito é jeito, não se encontra isso em anuncio de cueca.