São João, Dia dos Namorados e Dia de Santo Antônio. Diversão garantida, ou o seu dinheiro de volta.


Não incautos, ainda não é texto novo. Mas tava relendo aqui e deu uma saudade. Este é de 2010. Era 2010 e eu já tinha talento na dança, imagina agora?

Era Santo para todo lado. Mas antes de entrar na parte Santa da história, deixe-me contar sobre os dias que antecederam o Dia dos Namorados.

Um paraguaio, duas amigas e dois amigos. Eu tentando falar espanhol. Depois inglês, depois italiano e por fim francês. Sou mesmo uma “multiglota”.

This train go to Paris now e come back what time ein?

Mas meus talentos não conhecem limites. E foi aí que resolvi dar uma prévia da ginga que habita este corpinho. Dancinha sexy, tango, valsa, forro ou manifestação demoníaca. Fosse o que fosse, eu era só remelexo na ultima quarta-feira, quando fui vista girando (juro que eu tava) em uma casa noturna da cidade. Minhas comparsas, companheiras, amigas de fé se afastaram um pouco para não passar vergonha e eu ali, cheia de intimidade com a pista de dança. Arrumei um professor, mas algo me dizia que ele não tinha o meu talento (pelo menos não para passar vergonha).

O segurança veio me xavecar ou algo assim. Não entedia o que ele falava. Só disse que tava me filmando. Era um caso de vida ou morte. Morte no caso, a minha. Pior que isso? Espera  ler, que o post vai longe. Isso era quarta, o final de semana só foi acabar no domingo. Só faltava mesmo ir ao bingo. E a gente foi. Ameniza dizer que era na quermesse e que não temos sorte no jogo? Visto que no amor a maré não tava boa bateu arrependimento de não ter ido à missa comer o tal bolo de Santo Antonio. Tá bom gente, melhora se eu disser que fumei um cigarro na escadaria da igreja? Heresia? Espera prá ver, a escadaria foi no sábado. Em pleno dia dos namorados.

Na sexta a balada foi outra, bem outra. Tinha gente pedindo para eu fazer a tal dancinha sexy. Sim, tinha gente pedindo. Antes que pensem besteira a dança era tão sexy quanto um lango-lango com dor de estômago. O lango-lango no caso era eu. No sábado eu até tentei a dancinha de novo. Mai apareceu um galã sexagenário da globo e roubou a cena. Ninguém me deu bola. Tudo lá paquerando o global sexagenário. Ele ainda tá na globo? Desde Sinhá Moça que eu não vejo.

No final de semana anterior a coisa não foi diferente. Fim de carreira, eu e a Menina Toddinho fingindo estar no rodeio dentro do meu carro ouvindo sertanejo, só prá sacanear uma colega. E pior, foi o ponto alto da diversão do fim de semana anterior. É que foi tudo tão agitado que nem deu tempo de escrever por aqui. Tive que fazer um mix. Ai. Lembrei do mix de vodca da Toddinho. Era Whisky, mas como ela não sabia escrever ficou Vodca mesmo. To te falando, a melhorzinha sou eu. Mas neste final de semana a Barbie tava com a gente. Chorou de rir quando pensamos em desenvolver uma imagem de Santo Antonio com uma criança acoplada. Fica mais fácil prá não confundir o santo. Pensamos longe. Quem quer casar tira a criança. Quer quer um filho devolve a criança. Quem quer gêmeos, tem uma versão com dois. É tão moderno que dá até para escolher a etnia. Tem japinha, loirinho, indiozinho e por aí vai.  A gente vai patentear e vender. Na verdade a gente ia né? Afinal de contas elas perderam no bingo os 4 dinheiros que íamos usar para começar o negócio. Judas era melhor amigo que elas. Pelo menos sabia negociar, vendeu Jesus por 30 dinheiros.

Amém Gente?

 

 

Salve salve-se quem puder…


Quinze edições. Ninguém acreditava que o Big Brother ia chegar tão longe.

Claro que ia. Avalie os números, faça uma conta básica com algumas das receitas do programa. Tirar um produto lucrativo do mercado? Nem mesmo para preservar a marca.

E preservação não é nem de longe a tônica do programa. Aqueles que se dispõem a participar estão sim em busca de exposição. Os quinze minutos de fama que sucedem as eliminações valem muito mais do que o grande prêmio milionário. E valem por uma razão lógica: É um prêmio acessível a todos.

O Big Brother é um jogo. Porém quem aceita o desafio, no minuto em que entra na casa, parece esquecer de um detalhe importante: Nesta espécie de “resta um” humano em que se enfiaram eles não são os jogadores como se intitulam, eles são as peças. As pedras no tabuleiro, ou melhor, no sapato um do outro, colocados ali propositalmente para incomodar. E nada incomoda mais do que a convivência sob condições adversas.

Quando finalmente, após a primeira votação a ficha cai, começa outro jogo. O jogo dos egos. Ninguém quer ser eliminado. E começam os conchavos, os melindres e toda aquela procura por explicações. Chateados pelas indicações e votos tiram satisfações com seus algozes, ao mesmo tempo em que tentam justificar o próprio voto em alguém que acabaram de conhecer mas a quem juraram amor eterno.

Caminhando para quase duas décadas programa (alguém duvida?), não importando quantas edições já tenham assistido ou quanto tenham se preparado, os “heróis” de Pedro Bial não conseguem enxergar o óbvio: As peças do jogo não são movidas por suas estratégias individuais, mas por uma série de acontecimentos imprevisíveis e acredite se quiser, há quem diga que pela vontade do público.

E não é por falta de verdade, caráter, ou simpatia não. A primeira eliminada do programa que o diga, a apresentadora Marisa Orth simplesmente não caiu nas graças do público.

E tem sempre um eliminado que desabafa: Mas eu fui eu mesmo o tempo todo!

Às vezes ser você mesmo não basta.

Para um povo que não sabe escolher sequer seus governantes, que importa quem vencerá o BBB? Não importa o eliminado, não importa se está certo ou errado. A grande verdade é que o nosso povo não sabe fazer juízo de caráter e suas escolhas não podem ser acatadas como verdade absoluta.

O que separa um participante do outro? O tempo que cada um leva para perceber que está ali apenas para manter a audiência.

Manter-se interessante.

Esta é a maior prova de resistência do programa.

A voz do povo não é a voz de Deus. A voz de Deus é a consciência.

E esta, infelizmente, não rende “merchan”, não rende assunto e não prende a atenção do público. Afinal de contas, cada um só pode espiar mesmo, a sua.

Antes tarde, do que não…


Gente, estou de volta! Sumi sim, mas não foi por falta de vontade, de assunto ou qualquer outra coisa. Não foi por falta de tempo também não. Eu sei que eu sempre falo isso, que faltava tempo, mas não. Em 2013 eu tive tempo sim, de sobra. Teria tempo inclusive para escrever um livro, se quisesse. Mas a razão que me levou a sumir foi outra: Medo. É, isso mesmo, depois de algum tempo eu achei que tinha perdido a mão para escrever. É sério. Toda vez que eu tentava rabiscar algumas linhas, lá estava ele: O medo. Mas antes eu preciso contar uma historinha:

Em 2013, entre mil idas e vindas a consultórios médicos e mais meio milhão de tomografias eu descobri que estava com um tumor na cabeça. Simples assim. A bem da verdade é que a gente sempre soube que eu não era lá muito certa das ideias mesmo né?  E pra quem quem se perguntava o que é que eu tinha na cabeça, esta aí a resposta.  Olha, vou te contar, no começo não foi fácil. Imagina você com 32 anos, alguém chega e fala que você tem um tumor e que não dá nem pra fazer biópsia, que você vai ter que operar. Super legal né?  Mentira, a primeira coisa que você  pensa é: Fudeu! Fudeu de verde amarelo. A sua vida passa como um filme. A gente acha que vai morrer e esquece que qualquer um pode morrer. Eu sempre pude morrer. Eu, você e qualquer pessoa, temos a única condição do mundo que é necessária para se  morrer: Estar vivo. Qualquer um que esteja vivo, corre o risco de morrer. Mas a gente acha que não, que quem tem uma doença é que pode morrer…tsc, tsc, tsc. Sabem de nada, vós inocentes.

Eu vi o exame. Era um glioma. A partir daí, todos os dias eu acordava e pensava: Caraca, eu tenho um tumor na cabeça, e agora? Tantos anos pedindo um amor e Deus me mandou o quê? Um tumor…amor, tumor, é parecido e ainda rima, eles confundiram oras…como julgar? Foi aí então que como um passe de mágica, finalmente uma amiga minha me apresentou um médico que mudaria a minha vida. Eu entrei no consultório com um problema e saí de lá com a solução. Simples assim. E de quebra ele ainda tinha uma equipe de estudantes, todos homens e todos solteiros…hashtag partiu operar. Hastag loucas por jaleco…lógico… Mas, como nem tudo são flores na vida de Kie Magalhães eu tive que tomar muitas doses de cortisona e inchei como um balão. Legal que a libido foi no dedão do pé, mas poxa eu não tinha mesmo cabeça para um namoro e agradeço à Deus por não ter ninguém comigo nesta época. Era muito difícil ver as pessoas que eu amava sofrerem. Pai, mãe, irmã, amigos. Jesus eu não sei como eles conseguiram. Eu não ia sofrer, eu ia estar anestesiada e inconsciente durante a cirurgia e eles iriam estar lá, apreensivos, sofrendo. Essa foi a pior parte: Eles iriam sofrer e não havia nada que eu pudesse fazer para evitar isso, a não ser é claro, manter o bom humor e não usar o tumor como desculpa para me tornar uma chata de galochas. Isso eu não ia ser de jeito nenhum.

Da descoberta à cirurgia foi pouco mais de um mês. Tudo correu maravilhosamente bem e eu não posso nem ousar reclamar de nada. Hoje eu lembro e nem parece que foi comigo. Graças à Deus, hoje está tudo bem. Logo após a cirurgia eu não conseguia falar. Demorou um pouco até que eu pudesse me comunicar verbalmente. E até isso foi engraçado. Eu não conseguia lembrar o nome das coisas. Eu sabia como tudo chamava, só não conseguia falar em português. Sim porque a pessoa vai pra cirurgia e volta achando que é bilíngue…era bem mais fácil falar em inglês do que em português, vai entender…

Mas e o medo? Que é que tem essa história a ver com medo? Já chego lá…tenham um pouco mais de paciência. Eu lembro que escrevi em algum texto por ai que escrever te livra de um câncer futuro. E não é que livra mesmo? 45 dias depois eu descobri que o meu tumor era benigno. Acho que foi aí que veio de fato o alívio. Eu demorei pra contar esta história porque eu não queria fazer a melodramática sabe? Tem um tumor? Tá lindo, vamos tirar. Não sou mais coitada que ninguém e também não sou melhor que ninguém.  Mas se essa história serve de inspiração pra alguém, já tá valendo.

Mas voltemos finalmente ao tal do medo. Por muito tempo eu tive medo. Aliás eu acho que a vida inteira eu tive medo. Todas as vezes que alguma coisa boa acontecia na minha vida, eu tinha tanto medo que eu mesma estragava, antes de correr o risco de ser feliz. Medo de ser feliz, pode? Medo de ter perdido a mão na escrita, medo de não saber mais organizar as idéias a ponto de passá-las para o papel, medo de não ser mais tão engraçada, uma série de medos, que agora parecem tão bobos. Afinal de contas minha gente, a vida é um risco. Não podemos esperar alguma coisa acontecer pra gente começar a se arriscar. Por dois anos eu fiquei escondida do mundo, sem coragem prá sair, sem coragem pra escrever, sem coragem prá muita coisa. O mais engraçado é que eu fiquei com medo de quebrar, e hoje me bateu um medo pior mais forte do que este. É um medo de caracas…o que é que eu tô fazendo com essa minha nova chance? Tô usando ela da melhor maneira possível? Então galera, vocês gostem ou não…tô de volta. Afinal, antes tarde, do que não… Quer um conselho? A vida é muito curta pra gente viver ela com medo.

EM BUSCA DO PADRE CERTO (SÓ QUE NÃO)


Eu quero iniciar este post pedindo desculpas porque andei sumida. Não foi por falta de assunto, faltou mesmo é tempo para organizar os pensamentos na “cachola”.  Mas hoje eu ainda não estou voltando, apenas abrindo espaço para postar um texto que não é meu, mas bem que poderia ser. Como é engraçada a vida, saber que você é importante para alguém que mora do outro lado do país, que as pessoas se divertem com o que você escreve e compartilham dos seus delírios. É muito bom não estar só, é muito bom saber que em algum momento a risada de alguém é culpa sua. Ah, é por isso que eu faço o que eu faço, é por isso que eu continuo escrevendo, mesmo sem ganhar uma coxinha e uma caçolinha. Mesmo sem a fama e o dinheiro, saber que alguém se divertiu por sua causa é algo que não tem preço. Mas eu hoje não vou falar de mim, vou falar delas, duas meninas lá do Pará, Neila Aquino e Ketley Cardoso, pessoas iluminadas, daquelas que a gente sente que são do bem. E criativas ein? As futuras universitárias, deram um jeitinho dessa pessoa aqui participar do Círio de Nazaré, lá no Pará. Posso até comprar aquelas camisetas que dizem: Círio de Narazé: Eu fui! Obrigada meninas! Obrigada por estarem presentes! Obrigada por fazerem a vida dessa pessoa aqui mais alegre! Leiam o texto da Neila e me falem se essa menina tem ou não tem futuro…

EM BUSCA DO PADRE CERTO (SÓ QUE NÃO)

Padre Fabio de Melo, sim… Esse é o padre dos meus sonhos. Se tivesse um padre como ele na paróquia da minha cidade eu estaria nas missas de domingo, novenas, batizados, casamentos, eucaristias, faria crisma… Tudo só pra poder olhar para aquele homem enviado por Deus para limpar nossa visão (“Amém gente”).

Quem me conhece sabe que, apesar de ter sido criada dentro do catolicismo (inclusive morei por 2 anos em colégio de freira e assistia missa todos os dias… se o padre faltasse era só me chamar que eu dava conta do recado) minha presença em uma igreja é quase um milagre, ou uma afronta, não saberia dizer exatamente qual opção.

O único evento religioso que faço questão de participar sempre que posso é o Círio de Nazaré. Como devota da Nazica que sou, gosto de estar lá pra participar, agradecer e pedir também, afinal “neguinho tem que tentar”. Vivenciar um Círio de Nazaré é uma experiência extraordinária para qualquer um que tenha um pouco de sensibilidade, independente de crença.

Mas aí você pergunta: e o que tem a ver o Padre FabioGosstosode Melo com o Círio de Nazaré? A resposta é muito simples… Desde que o dito começou a vir a Belém homenagear nossa tão amada padroeira eu aderi a uma nova missão: tinha que ver aquele Pedaço de mal caminho… servo da palavra do Senhor de perto. Não precisava ser muito perto não… Nunca tive pretensão de abraçar, tirar foto, nada dessas coisas de tiete, o que eu queria era comprovar que “tudo aquilo” é de verdade.

Algumas mulheres já me disseram: “ele não devia ser padre” ao que eu sempre respondo: “ele tinha era que ser padre mesmo, afinal se não fosse, do jeito que é lindo, inteligente, gentil, com aquela voz (ai, ai…), nunca iria olhar pra mim. Ao menos assim ele me ama como irmã em Cristo”

Pois bem, nos últimos anos tive alguns contratempos… Passei alguns anos sem poder ir ao Círio, em 2010 ele estava na homenagem do BASA e eu não fui; em 2011 eu fui e ele não veio; em 2012 repetiu-se o ocorrido de 2010. Mas esse ano seria diferente, esse ano nada ia me impedir e tal qual o cego curado por Cristo eu ia enxergar melhor.

Como minha vida ultimamente é aproximadamente 90% trabalhar, 8 % dormir e os 2% restantes eu uso pra fazer outras coisas (inclusive trabalho), eu tinha ouvido, assim por alto, sem ler em jornal ou qualquer outra fonte segura, que esse ano ele estaria lá para homenagear Nossa Nazinha.

E lá fui eu, coração cheio de fé e amor (por Nossa Senhora, não pelo Padre), pra mais um Círio de Nazaré. Diferente da grande maioria das pessoas eu não costumo acompanha a procissão (exceto em 2011, ano em que estava pagando uma promessa), pois eu gosto de ver a imagem, coisa muito difícil de fazer se for caminhar com a multidão… Então eu me posiciono em certos pontos onde a berlinda para pra receber as homenagens tradicionais, assim quando ela passa eu posso vê-la, agradecer, pedir, chorar (é inevitável).

Daí que esse ano eu corri pra frente do palco armado para a homenagem prestada pelo BASA, que tradicionalmente trás grandes atrações nacionais. Nada me impediria de ver o Padre Fábio, se os boatos que ouvi fossem verdade e ele estivesse lá eu o veria… E com sorte ainda o ouviria cantar “Eu sou de Lá”.Posicionei-me na calçada e fiquei curtindo a apresentação de um grupo de cantores locais.

De repente um dos vocalistas diz: “gostaríamos de agradecer pela oportunidade de estar aqui no palco do BASA pormais um ano prestando esta homenagem à Virgem Mãe de Nazaré. O Basa sempre trás grandes atrações locais e nacionais e neste ano não poderia ser diferente, daqui a pouco teremos aqui neste palco, para saudar Nossa Senhora de Nazaré, o Padre… (neste momento, em uma fração de segundo, minhas pernas bambearam, meu coração disparou, minhas mãos ficaram geladas, minha respiração parou e eu tudo que consegui foi pecar em pensamento: “ah, é hoje que eu vejo aquele colírio” #NossaSenhoraLimpaMinhaVista)… ANTÔNIO MARIA”

– Hein??? Antônio Maria? Cadê o Fabio de Melo?

Minha crise de “emoção tietesca” se dissipou tão rápido quanto chegou… Tá, tudo bem que depois o Padre Antônio Maria fez sua apresentação, muito animada ao som de hits do axé Baiano, adaptados para a ocasião,como: ♪♫♪ Vai sacudiiiiiirrrr, vai abalaaaaaarrrr, quando meu Jesus passaaaaaarrrr ♪♫♪e o mais animado de todos: ♪♫♪ E vai rolar a festaaaa, vai rolaaaarrrr, o povo de Cristo mandou avisaaaarrr♪♫♪

Nunca vi tanto promesseiro pulando junto, isso tudo num sufoco de fazer desmaiar os mais fracos, estava totalmente imprensada pela multidão, mas pulando. Ora, se o Padre, que é muito mais puro que eu, estava cantando, não seria eu, chegada numa micareta, que iria fazer desfeita.

Até o povo da corda, que só falta um pouquinho pra provar que 2 corpos podem sim ocupar o mesmo lugar no espaço, erguia a corda e cantava junto com o Padre “Ordináááááááriooo”.

Tudo muito animado e ao mesmo tempo emocionante. Tive a oportunidade de ver, após o padre “Toinho da Bahia”, Agnaldo Raiol cantando “Ave Maria”, e os dois juntos cantado “Maria de Nazaré” enquanto a berlinda passava pela minha frente.

Depois da passagem da berlinda, achei melhor cortar o caminho direto para a Basílica Santuário, para aguardar a chagada da santa lá, já que estava muitíssimo difícil chegar até a procissão devido a multidão, e o cansaço de dias dormindo pouco por causa do trabalho e do apoio aos romeiros na quinta e sexta feiras anteriores estava gritando: “uma cama pelamordedeus”…

A Santa chegou à Basílica, após 6 horas na maior procissão de todas as edições: 2,1 milhões de fiés. E eu estava lá!

Apesar de não ter visto o Padre certo, eu estava lá e foi tudo lindo, per-fei-to… Ou quase, já que, de volta a minha cidade, descobri que o Padre traíra Fabio este ano resolveu trocar o palco do BASA pelo da TV Liberal (afiliada da Rede Globo aqui no Pará e que fica justamente na parte que eu cortei o caminho) e estava lá gostoso, lindo, belo, com sua voz de barítono, cantando a música que eu mais queria ouvir, ao lado de Fafá de Belém e com a ilustre presença de Marília Gabriela (que trabalha na concorrência).

Mas tudo bem, ano que vem terá Círio, terá procissão, terá homenagem, terá festa de fé e terá eu lá, se minha Mãezinha do Céu permitir, aproveitando para perseguir meu objetivo e se novamente não conseguir, terei visto o mais importante: NOSSA SENHORA DE NAZARÉ, porque essa não me escapa nunca (!!!VIVA!!!).

Neila Aquino.

 

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Relaxar ou não relaxar, eis a questão


Relaxar é uma palavra que eu não posso ouvir de jeito nenhum. Pode ser ioga, acupuntura, retiro budista, não importa a prática, eu simplesmente não consigo esvaziar a minha mente. É como dizer no susto:

 – Diga alguma coisa engraçada!  Faça algo criativo!

-Apáputaquepariu!

O imperativo é o que atormenta a minha vida. Me obrigue a fazer algo e me verá correr na direção oposta. Eu sei que é caso de terapia isso, e não me orgulho. Mas fazer o quê? Até inventarem um botãozinho de liga e desliga para essa coisa estranha que eu carrego por aí na cabeça, talvez relaxar seja mesmo uma utopia. Se eu pudesse fazer um pedido gostaria que meu cérebro fosse conectado a uma tela touch onde eu pudesse puxar, copiar, colar e organizar os pensamentos, todos arrumadinhos e bonitinhos. Mas a quem estou tentando enganar? Nem minha caixa de e-mails é organizada, por que a minha cabeça seria?

– Olá Kie, aproveite este momento para relaxar.

– Ah sim obrigada.

Ufa! Eu estava mesmo precisando desse tempo comigo, sozinha para relaxar. Que maravilha. Agora é só fechar os olhos e não pensar em nada. Imagine uma tela em bran…nossa gente! Preciso urgentemente fazer as unhas, o que é isso? Amanhã eu vou fazer sem falta, mas amanhã eu tenho alguma coisa que eu já tinha que fazer, o que era mesmo? Ah não importa, o importante é que estou aqui para relaxar e não pensar em nad…ai, será que esse nego colocou essas agulhas certo? Sei lá vai que ele erra e eu fico travada, sei lá vi isso acontecer em Kung Fu Panda e não foi legal. (risos) Kung Fu Panda, hahaha, é muito legal, o Mestre Shifu. Pensando nisso, quando será que estreia o Meu Malvado Favorito ein? Ah mas vou esperar aquele bando de criança comendo pipoca ir primeiro, assim lá pela terceira semana eu vou. Gente mas e o relax? Chega! Preciso parar de pensar e relaxar. Como é difícil esvaziar a mente, aliás, eu deveria escrever sobre isso. Aliás, eu deveria primeiro terminar aquele outro texto e depois escrever sobre isso. Vou fazer. Assim que eu chegar em casa eu vou escrever. Ah mas eu ia ler e não escrever. Bom eu leio hoje e amanhã eu escrevo, aproveito e escrevo os dois. Eu vou. Depois da novela, aí eu leio e durmo cedo. Melhor anotar isso. Cadê meu celular? Ah se eu estivesse com ele já anotava as pendências e tirava da cabeça. Meu celular, preciso ver se as meninas estão disponíveis para trabalhar e avisar o cliente. Não posso esquecer também. Já sei, saindo daqui no carro eu já vejo tudo isso. Agora vamo lá, respira Kie, relaxa vai não pode ser tão difícil. Respira um, dois…tá frio aqui. Devia ter pedido o ar quente. Mas eu tava de blusa, não achei que ia ficar com frio. Mas tá friozinho. Mas daqui a pouco melhora. E se atacar a minha sinusite? Não vai atacar porque to com uma agulha enfiada na testa. Claro que não vai atacar a sinusite, imagina, to aqui prá isso não acontecer, só não posso coçar o nariz, vai que eu esbarro na agulha. Que isso? Caceta, tá coçando o nariz. Vou devagar prá não esbarrar. Ufa! Nossa é engraçado, quando a gente não pode coçar, o nariz sempre coça. Onde foi que eu vi isso? Bom mas…. Preciso, preciso relaxar, imagina se eu durmo? Nossa, se eu dormir e me acordarem eu vou ficar com dor de cabeça. Imagina Kie, cala a boca, não dá tempo prá dormir.  É prá relaxar, mas não dormir. Vou pensar em uma música, deve ajudar. Uma música bem tranquila e…faz quadradinho de oitoooo, faz quadradinho de oitoooooooooo…caceta! Musica FDP! Respira e não pensa em nada vai…1,2,3…acho que uma oração não deve fazer mal. Foca na letra e daqui a pouco já relaxou…Um Pai Nosso? Eu sempre me perco nela. Pão nosso de cada dia. Nooossa, ainda bem que eu lembrei. Preciso passar na padaria. Putz vai tá um trânsito esse horário. Podia ter aquela padaria ali do lado, já tava com meio caminho andado. Preciso fazer uma lista e ver o que eu preciso da padaria. Melhor passar em algum lugar que tenha tudo já. Preciso ligar em casa e ver o que precisa. Agora chega. Preciso relaxar, mas que coisa! É isso, vou respirar e não pensar em nada, nada mesmo. Tela branca, muro alto, espaço livre, não tem nada, só um vazio e uma paisag…

– Prontinho Kie, pode levantar, bom final de semana e aproveite!

Quem nunca?

A violência nossa de cada dia


Os políticos saíram do armário. Eles estão descaradamente nos violentando. Não só eu, ou você ou sua tia. Toda uma nação. E a violência discreta de antes, onde a gente tomava um “boa noite cinderela” e acordava atordoado sem saber direito a quem culpar, cedeu lugar à violência escancarada.  Antes a gente não sabia de onde vinha o golpe, tudo era feito por baixo do pano, na surdina. Agora não, agora é “vem cá minha nega que eu vou abusar de você à luz do dia mesmo”. Antes eles estavam apenas apalpando, sentindo o terreno. E aí nos calamos, não denunciamos o abuso. Apanhamos todos os dias e ficamos em silêncio, acreditando na velha canção:

Ah, daqui prá frente, tudo vai ser diferente!

E depois também. Ficamos com aquele olho inchado e meia dúzia de cortes na testa, jurando que escorregamos no banheiro, que não foi por mal, que eles tinham mudado. Não denunciamos e mais uma vez passaram a mão na nossa bunda. Ficamos divididos entre o medo do agressor e a proteção que ele nos oferecia. Aí fizemos as nossas orações em casa mesmo, tudo para evitar o escândalo e a vergonha. E mesmo que nos sentíssemos tão violentados a ponto de saber que a coisa ia ficar cada vez pior, aceitamos o escambo. Os políticos corruptos são nosso Christian Grey:

– Aceito que me bata na cara se amanhã ele se desculpar em Paris. Ou me der desconto na tarifa de energia, ou uns trocados para o ônibus.

Ontem éramos violentados no escuro e reconquistados à luz do dia. Hoje somos violentados no meio da praça, em plena luz do dia. Somos a mulher que apanha do marido e perdoa. Ela esquece porque tem medo, e compra o arrependimento escondido no buquê de flores. Eu sou essa mulher, você também é. Só existe impunidade porque a aceitamos de bom grado. Ontem uma flor, hoje  o reboco do meu barraco, amanhã um cargo na prefeitura. Seguimos satisfeitos e coniventes, sacudindo nossas bugigangas.

Somos a mulher de malandro, desde de antes do Brasil ser Brasil. A única diferença  é que antes o marido negava, agora ele leva seu caixotinho de madeira para o meio da praça, diz o que fez e o que ainda vai fazer e o povo aplaude feliz. Hoje tiramos Renan do senado, amanhã votamos nele novamente.  Colocamos os piores elementos dentro da nossa própria casa, e ainda pagamos a bebida dele. A corrupção de hoje não gera vergonha, gera presidentes.

Somos nós que colocamos o Chaves tomando conta da barraquinha de churros. Das nossas leis, do nosso dinheiro, da nossa dignidade.  A culpa da mulher violentada é nossa. O abuso que ela sofre é o nosso legado.

A diferença básica entre a mulher que sofre a violência e o povo, é que ela tem medo, tem filhos, tem vergonha.  A nossa é a mais triste, porque o que nós não temos é vergonha na cara.

Amor, entre aspas…


Senta ai que eu vou te contar uma coisa sobre o amor. A esta altura da vida você já deveria saber, mas vem cá que eu não resisto em ver você aí sofrendo por uma coisa dessas. O amor é a coisa mais leve que existe no mundo. Ele não faz cobranças, ele sobrevive da felicidade alheia. Se você está feliz, ele está feliz. Se você está feliz a pessoa que te ama se despe do egoísmo e vibra com a sua felicidade também. Aquele menino que te empurrou na quinta série não te amava, aquele par de olhos da oitava também não. Aquele menino da faculdade que tinha namorada mas dizia que te amava? Advinha? Não, não. Isso tudo que aconteceu na sua vida serviu prá você conhecer o que não era amor. Quem fala que ama muito rápido vai te esquecer e soltar a sua mão na primeira esquina. Essa é a verdade. O amor é o ápice do desprendimento. É deixar a pessoa livre prá ser quem é, livre prá escolher te amar, livre prá escolher o que a faz feliz. E se for com ela, tanto melhor. Amor é tudo, menos mimimi e aporrinhação. Amar é deixar o outro escolher. Você ainda não sabe disso, mas quando você encontrar, vai saber…pode apostar que vai…

Uma indignação passiva, não faz verão.


Dos diversos assuntos que povoaram a minha mente durante os últimos dias, quis o destino que me caísse um tema cascudo. Complicado escrever sobre algo cuja motivação é tão pessoal e ao mesmo tempo tão coletiva.

Do momento em que decidi aceitar o desafio proposto por um querido amigo, uma canção já esquecida teimou em não sair da minha cabeça, mas permitiu uma rápida viagem no tempo.

Em meados de 1992, período em que o conterrâneo grupo Skank embalava o movimento dos Caras-pintadas com o hit In(Dig)Nação – que na verdade buscava criticar a nossa ausência de consciência política – milhares de jovens foram às ruas protestar contra o governo de Fernando Collor. Movidos pelo sentimento de repúdio aos absurdos e sucessivos escândalos do então governo, no qual depositaram suas mais sinceras esperanças de um país melhor, e inspirados em seus heróis que lutaram contra a ditadura, nossos jovens fizeram história, mas saíram de cena logo após cumprirem seu objetivo.  Não é segredo que a despeito das manifestações e todos os prejuízos que Collor significou para o país, ele tenha sido reeleito, anos mais tarde como senador. É triste relembrar os versos da canção, enquanto assistimos Renan Calheiros caminhar tranquilamente rumo à presidência do Senado.

“A nossa indignação é uma mosca sem asas, não ultrapassa as janelas de nossas casas”

É, ainda não atravessa. Nossa indignação se modernizou, ganhou as redes sociais, mas ainda não atravessa as telas de nossos smartphones e notebooks. Ironicamente, nenhuma tecnologia é capaz de materializar o nosso desejo de uma renovação política. Os políticos perderam a capacidade de se envergonhar? E nós perdemos a nossa capacidade de lutar?  Não, nós não perdemos. Mas temo dizer que perdemos a capacidade de nos educar.

“Ah, mas o governo não nos oferece uma educação de qualidade!”, bradarão inflamados.

Que geração é essa que espera do governo uma educação de qualidade como quem espera a volta do Messias?

Se o governo não oferece, o que fazer? Levantemos da cadeira! Deixemos de ser “anciosos” a espera de um milagre. A espera do Carnaval, ou da Copa do Mundo vexatória que estamos prestes a sediar.

Tento entender as diferenças desta geração que elege os mesmos corruptos que outras lutaram para banir da política e me perco nas minúcias e labirintos das leis do país. Entretanto, arrisco um palpite: nunca tivemos tanto acesso à informação e tão pouco interesse por ela. Parece-me que a informação hoje é aquela menina bonita que sorri pra gente e a gente não quer conquistar porque acha que ela está “dando mole”.

Deixemos de ser recém-formados alienados das políticas monetárias, das mazelas do mundo, deixemos de ser analfabetos do nosso próprio idioma. Quando vamos deixar de nos escandalizar somente com as grandes tragédias que serão varridas para o esquecimento pelo novo corte de cabelo no Neymar, enquanto engolimos pacificamente as tragédias cotidianas, como a falta de atendimento e medicamentos nos hospitais, a morte de crianças vitimas da miséria do desperdício de recursos?

Vamos continuar bebendo uísque ou água de coco em um Brasil que tanto faz?

No próximo carnaval, use uma fantasia de cidadão brasileiro, porque de palhaços, já estamos vestidos faz tempo.

Mea Culpa


Somos todos culpados das tragédias que assolam a humanidade. Não vou falar da tragédia de Santa Maria, que a mídia e as redes sociais já exibiram até à exaustão. Estamos na fase da busca pelos culpados, então façamos um exercício de reflexão:

Somos culpados de tragédias evitáveis, sejam elas de grandes proporções ou não. Tragédias diárias que viram paisagens pintadas nas cores da nossa tolerância.

Somos culpados porque deixamos de lado a nossa obrigação de investigar e cobrar dos que fiscalizam que façam o seu dever de casa, enquanto ovacionamos suas punições tardias.

Somos culpados porque aceitamos que somos o país da maracutaia e dos conchavos, quando somos direta ou indiretamente beneficiados pela corrupção.

Somos culpados porque vestimos a capa do luto politicamente correto, enquanto não damos a mínima para os nossos vivos e nossas gerações futuras.

Somos culpados quando compactuamos com um capitalismo nocivo que nos traveste com etiquetas caras na tentativa de ofuscar a nossa mediocridade.

Somos culpados quando tomamos a nossa cervejinha inocente e entramos em nossos veículos cientes de que assumimos o risco de matar outro ser humano.

Somos culpados quando nos aproveitamos de nossas amizades ou de nosso prestígio para furamos filas, exigir regalias, e de maneira conveniente fechamos os olhos para o que sabemos estar errado, usando como justificativa o vergonhoso “jeitinho brasileiro”.

Somos culpados porque como se não bastasse não nos mobilizarmos para eliminar os corruptos, não nos informamos o suficiente, elegendo-os novamente tão logo nos seja possível.

Somos culpados porque regredimos 500 anos, cada vez que aceitamos o velho e conhecido escambo. Somos roubados sorrindo, porque nos enfiam bugigangas goela a baixo.

Somos culpados porque financiamos o tráfico de drogas, usando esta ou aquela porcaria, achando que “de vez em quando”, tudo bem.

Somos todos culpados de tudo o que poderia ser evitado se nos educássemos e nos informássemos sobre o que nos cerca, mas preferimos a confortável janela da indignação passiva, de onde podemos maldizer nosso vizinho e esperar que depois das tempestades as coisas mudem, o governo mude, o mundo mude. O outro mude.

Somos todos culpados se deixarmos, mas só poderemos mudar se quisermos.

Sinceridade e duas pedras de gelo, por favor!


Eu tenho uma sede retirante de viver a vida. É sério, não há chá de camomila, floral ou mantra que consiga me elevar à condição de criatura equilibrada, minha ansiedade diz a que veio e certamente morrerá comigo.

Odeio filas, tumulto, demora. Decididamente não consigo esperar por nada na vida. Prá mim a vida é preto no branco. Ou uma coisa é ou não é, não tem segredo e não tem enrolação. “Não faça aos outros aquilo que não gostaria que fizessem com você”, já diziam.

Quem dera alguém me olhasse direto nos olhos e dissesse: “Não gosto de você”.  Não gosta ok, sem crise. Talvez eu passe a admirá-lo depois disso.  Talvez eu precise melhorar em alguns pontos, vai saber?

Quantos planos melhores não poderiam ser executados pós-entrevista de emprego? “Nós não vamos te ligar, você não se encaixa na vaga. Não precisamos te enrolar uma semana para ter esta certeza”.

“Não vou largar a minha namorada prá ficar com você, mas se quiser só aventura, eu sou o tipo perfeito”.

Sinceridade, estou para conhecer um professor melhor.

O amor acabou? Você não quer mais o relacionamento? Diga!  Não tente poupar aquela pessoa fazendo dela um rascunho das suas vontades.

Ser enrolado ou enrolar, ninguém ganha com isso.

“Não gosto de você, mas vou te manter por perto porque você não viveria sem mim”. Deus me livre de gente assim!

“Gosto de você, mas não digo porque é sua obrigação perceber”? Ok. Traz a minha lancheira que está quase na hora do recreio.

Não gosto de desperdiçar a vida alheia e principalmente a minha. Se eu gostasse de joguinhos, teria um tabuleiro em casa, ou um Playstation.  Seria mais divertido. Apostaria minhas moedas do SongPop nisso, se eu tivesse alguma.

Sinceridade não é fácil, mas é digna. E pasmem, são suas doses diárias que nos fazem crescer.