Ninguém está de fato preparado para lidar com a morte. Não acredito que exista, nesse mundão de Deus, alguém com a fria capacidade de lidar com o assunto ou com o fato de forma tranquila.
A morte do rei do Pop, a morte da pantera, a morte de um monte de gente num vôo ou outro, a morte de um amigo querido, de alguém que poderia ter sido o grande amor da nossa vida, é o que faz pipocarem os textos sobre o assunto, as reflexões e as idéias daquilo que ali distante no noticiário ou no mais íntimo do nosso coração, tem a capacidade de nos fazer pensar, e agora?
Todo mundo para, pensa, olha pro lado e analisa. No final, lá vem a reflexão batida e amarga:
- Prá morrer, basta estar vivo.
E acreditem, não basta.
Não basta estar vivo e morrer. A morte é certeza absoluta. O desafio é a vida. Prá morrer é fácil, difícil mesmo é escapar dela. Que ela vai chegar é certeza, então o que a gente pode fazer como melhor resposta é viver da melhor forma possível prá que não sobre nenhum arrependimento quando o desconhecido dia da nossa morte chegar. Esperar por ela é fácil. Vivê-la intensamente, embora seja a melhor parte, para alguns, dá um trabalho danado.
Além da overdose de assuntos funestos dos últimos tempos, o ultimo episódio da temporada de Grey’s Anatomy foi o mais marcante de tudo que eu li, vi e ouvi. Ao som do Greg Laswell com a música Off I Go, Meredith finaliza o episódio da quinta temporada, e ali eu desidratada analisando cada uma das suas palavras, dividida entre a reflexão e o medo do que nos reserva a próxima temporada do meu seriado favorito (sim eu sou viciada em séries de TV).
“Você disse? Eu te amo. Eu não quero viver sem você. Você mudou a minha vida. Você disse? Faça um plano. Tenha um objetivo. Trabalhe por ele, mas de vez em quando olhe em volta. Absorva tudo. Porque isto é tudo. E tudo pode acabar amanhã.”
E você? Disse? Disse a todas as pessoas, disse tudo aquilo que deveria ter dito? Fez aquilo que naquele momento não lhe parecia urgente, mas de que poderia sentir uma falta enorme mais tarde?
A data da nossa morte é desconhecida, mas a nossa vida inteira não. É por isso que temos a obrigação de ser feliz, de fazer os outros felizes hoje e não amanhã. Não devemos engolir mais sapos do que necessário, nem deixar as coisas prá resolver depois. Devemos viver intensamente hoje, agora. Não inconsequente, mas intensamente. É justo que façamos assim. É necessário que façamos assim. Porque tudo pode mesmo acabar algum dia.
E então? Você disse?

2 comments
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Julho 17, 2009 às 6:30 am
Cafeina
noites dessas sonhei que estava consolando meu travesseiro. Sério. Colocava ele no colo, consolava e dizia num texto como que psicografado: “Não pense em amanhã, sei que não vamos nos ver amanhã, pensa que hoje você está comigo e aproveita agora.” Acordei chorando e nunca mais vi meu travesseiro da mesma forma…
Julho 18, 2009 às 12:07 am
Cadinho RoCo
A morte é o que virá, mistério de teses sempre e cada vez mais inconclusas. Evidente que a vida é sucessão de desafios a proporem o crescimento de cada uim de nós e aí é que está o grande sentido de tudo que abre sugestão sim para infindas especulações. Mas, pefiro dar trato à fé de que tudo faz parte de construção sem fim do que ficar ao dispor de questionamentos idos do nada para o lugar nenhum.
Cadinho RoCo