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Amém Gente!

Pessoal, meu post está no Bebendo Fumaça, blog da Cafeína, que além de escrever sobre os mais diversos assuntos, sempre abre espaço para que eu publique meus textos lá!  Obrigada Cafê, pelo apoio de sempre!

O fim da obrigatoriedade de diploma para os jornalistas ainda vai dar o que falar. Prá quem ainda não sabe, o Supremo Tribunal Federal, decidiu nesta quarta-feira (17) derrubar a exigência do diploma para exercício da profissão de jornalista. Foram oito votos a um. o Relator do processo, o presidente do STF, Gilmar Mendes, concordou com o argumento de que a exigência do diploma não está autorizada pela Constituição. Em seu voto, Gilmar Mendes sugeriu que os próprios meios de comunicação exerçam o controle sobre a contratação de seus profissionais. Ele comparou ainda a profissão de jornalista com a de chefe de cozinha. “Um excelente chefe de cozinha poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima estarmos a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área”, comparou. Acho que foi uma comparação infeliz. A faculdade enriquece e muito o conhecimento específico para todas as áreas, porém a comparação só demonstra que o nosso magistrado não possui argumentos coerentes para defender o seu voto.

Sou profissional da área de comunicação há seis anos e embora ainda não tenha concluído a faculdade, como não existe obrigatoriedade de diploma para o exercício da atividade publicitária, não encontrei restrições em nenhuma das três agencias em que trabalhei. Sou uma das pessoas que defende a idéia de que o exercício da atividade é infinitamente mais enriquecedor, mas exige muito mais esforço e dedicação do profissional que resolve enveredar por este caminho. O ideal seria que todos os jovens pudessem estudar e praticar as teorias que aprende, mas a grande verdade é que a maioria dos estudantes que procura estágio na área não consegue sequer receber um salário que arque com as despesas de sua própria faculdade. Como precisam estudar e trabalhar para sobreviver, a grande maioria não consegue concluir o curso ou acaba inadimplente, a despeito dos incentivos que o governo oferece.   

Resumindo, ao passar oficialmente aos veículos a responsabilidade de selecionar os profissionais que exercerão a profissão de jornalista daqui prá frente, o Supremo pode ter gerado uma polêmica ainda maior. Talvez a não obrigatoriedade do diploma não seja a maior questão e sim a qualidade do ensino oferecido aos jovens universitários no Brasil, já que a medida defende que o diploma é um mero detalhe.  Na minha opinião, o que forma um bom profissional não é somente o conteúdo oferecido pelas universidades e sim o esforço e a dedicação dos profissionais que desejam conquistar o mercado de trabalho e que nem sempre possuem recursos para cursar uma universidade.

Se o problema é a competência, tá tudo certo. Tá assim ó de jornalista talentoso sem diploma. E com a polêmica, os meios de comunicação certamente cuidarão de avaliar seus critérios de seleção.  Sabemos que estes farão a lição de casa, o problema é que enquanto a gente discute a medida, ainda meio tonto pelo efeito da fumaça, uma outra galera, logo ali, aproveita o burburinho para construir mais castelos, empregar mais parentes, tirar férias com a família ou encontrar formas cada vez mais criativas de gastar o nosso dinheiro, afinal de contas prá isso, não precisa de diploma nem de talento. E é lá, bem onde  falta competência,  que sobra cara de pau.

Acabou o dia dos namorados e o lance é o seguinte: Eu estou de TPM e TPM da grossa, forte, violenta. Sei que ninguém tem nada a ver com isso, mas sinto que se faz necessário explicar pelo menos um pouquinho, por que os textos do blog andam tão lúgubres ou carregados de certa melancolia. Esclareço que além da desorientada circulação de hormônios dentro do meu corpinho decrépito, a proximidade o maldito tal dia dos namorados frente a essa minha solidão, tem mexido mais ainda com os meus hormônios, mas prometo que este vai ser o último post mencionando o dia dos namorados, até porque amém gente! Acabou a patacoada. A menos que eu receba e-mails inflamados, comentários ou pedidos para que eu volte a tocar no assunto, eu não vou mais falar sobre isto, pelo menos este ano. Tô enjoada de tanto tocar no assunto e não é só porque eu estou solteira não, a náusea que me acomete advém do fato de toda e qualquer data do calendário promocional ser tratada de forma tão comercial e tão marcante que não tem como não cansar.  Publicitário que trabalha com o varejo sofre uma espécie de overdose de data comemorativa que é uma loucura. Eu sei que são ossos do ofício, mas tem hora que cansa ver tanto anúncio, tanta conversa, tanto documentário e tudo sempre sobre o mesmo assunto.

Eu posso afirmar sem sombra de dúvida que namorar é bem melhor do que estar solteiro. Mas precisa valer a pena. Não adianta ficar com alguém por medo de solidão ou por carência. Já dizia Ana Carolina que ficar sozinho é prá quem tem coragem, mas chega uma hora em que você precisa ser feliz, e se a pessoa que está com você não está te ajudando, acho que vale a regra do antes só e o resto vocês já sabem.

Imagina o exemplo: Você começa a namorar, está feliz alegre e pirilampa. Encontrou seu príncipe encantado e tem a certeza absoluta de que não irá mais morrer sozinha. O Buraco da morte deixa de ser uma opção válida, ufa! Vocês serão felizes para sempre, nada nem a ninguém no mundo pode estragar tanta felicidade, vocês desfilam por aí e fazem as pessoas coçarem o cú morrer de tanta inveja. Após formalizar (ou não) o pedido de namoro, casamento ou afim, coisas estranhas começam a acontecer. Você não suporta as manias dele, ele não suporta as suas. Você começa a achar que a vida de solteiro é muito mais interessante do que essa vidinha meia boca que vocês estão levando, afinal de contas solteiros tem liberdade e namoro é sinônimo de absoluta falta de liberdade. Todo e qualquer ato sexual vira feijão com arroz e com o passar do tempo o que já era sem graça, vira lenda, e você começa a rezar prá não ter que fazer mais.  A carência faz com que você (não eu!) comece a imaginar o porteiro do seu prédio, suado e sem camisa indo consertar uma lâmpada na sua casa, jogando charme. O Sêo Zacarias, pessoa que está entre 57 e a morte, ele mesmo, afinal de contas seu padrão caiu, você engordou e nem de longe lembra aquela mulher sensual e poderosa que era antes, escondida dentro desse conjunto de moleton velho provavelmente herdado da sua avó. Ele também já não é mais aquele, aqueles pneuzinhos estão acumulados onde na verdade deveriam haver gomos, aquele cabelo por cortar, a barba por fazer, te dão a nítida impressão de que o homem por quem você se apaixonou foi abduzido por um grande ogro-extraterrestre? Brigas e discussões intermináveis ou silêncio absoluto, ambos dilaceradores. Prá ele você virou uma bruxa e prá você ele é um sapo. Antes vocês se tratavam por apelidinhos ridículos carinhosos, agora, quando conversam, se ofendem ainda que mentalmente.

É claro que ninguém quer um relacionamento assim, é claro que a coisa nunca chega a esse ponto porque antes disso as pessoas recuperam o seu amor-próprio e decidem que se for prá ficar junto numa relação assim, o melhor mesmo é ficar sozinho certo? Errado.

É como se no início de uma relação, ambos assinassem um documento, carimbado, lavrado em cartório com a marca da bunda de ambos, abrindo mão da própria vida e de todas as coisas que fizeram parte dela até então. Entregam as rédeas da própria vida na mão do outro, estes por sua vez já não davam conta de si, e ainda tem mais uma vida prá cuidar. Aos poucos a individualidade vai desaparecendo e ao invés de lutar para que se tornem melhores, acabam contribuindo para que ninguém cresça ou saia do lugar. Você que sempre sonhou em viver um conto de fadas percebe que embora tenha bruxa e sapo no meio, nem de longe é o ideal romântico que alguém desejaria ter na vida. Acabamos acreditando que isso é tudo que podemos adquirir de uma relação a dois. Afinal, dá uma preguiça danada começar tudo de novo ou ceder um pouquinho pra fazer a coisa dar certo. Tem gente que cede, exagera, se perde. Acha que vai morrer por amor e de tanto que diz amar uma pessoa, aprisiona a pobre criatura dentro daquele enfadonho relacionamento.

O que todo mundo chama de amor, é posse, é status, é ter alguém a qualquer preço. Ainda que nada tenham a ver um com o outro, nem mesmo a vontade de estar ali. Aquilo que eu cresci sabendo claramente que não era amor. O dia dos namorados não foi feito apenas para os casais lotarem os bares, locadoras, entupirem o trânsito, as pizzarias, os motéis e os cinemas. Não adianta usar o dia dos namorados para fingir que está tudo bem e amanhã esquecer tudo. Porque se for assim eu posso afirmar sem medo de errar, que bom mesmo é ficar solteiro.

Gente! Este humilde blog está prestes a completar um ano, com isso, na intenção de postar algum texto antigo me deparei com a narrativa básica: “Como perder um homem em dez dias ou mais”. Analisando o texto, percebi uma estranha semelhança com os últimos acontecimentos da minha vida pseudo-sentimental e quase posso afirmar que identifiquei um padrão de acontecimentos. Se isso não é obra do cosmos – visto a coincidência das datas – nem imagino o que mais pode ser. Então vamos aos fatos:  Todo mundo sabe que a minha vida sentimental anda mais parada do que tartaruga com sono, mas como a gente não pode desistir, acaba vez ou outra aceitando um ou outro evento social prá dar aquela forcinha básica ao universo, afinal de contas debaixo da liga dos edredons fofinhos é que eu não vou conhecer o grande homem da minha vida não é mesmo?

Sabadão, após rodar por um significativo número de bares e eu e a minha amiga resolvemos dar uma paradinha em um estabelecimento onde havia uma estranha manifestação cultural chamada “samba de raiz”. Vai vendo! Lá pelas tantas alguém vem falar comigo e eu munida de uma alegria quase nula acabei dando uma chance para o corajoso ser e nem mesmo uma de minhas famosas frases foi usada durante o colóquio. Surpresa geral. O cara, a despeito de todo tipo de porcaria existente no mercado, era uma pessoa extremamente bacana e passamos a noite toda conversando agradavelmente. Acabamos a noite cada um na sua casa (antes que imaginem coisas esses despudorados leitores), fomos cada um pro lado e quem sabe o que o destino poderia reservar para os dias que se seguiriam? Quem me conhece sabe o que poderia acontecer. Ou o cara era foragido da justiça, ou  casado ou então ele era apenas fruto da minha imaginação carente fértil. Após descobrir que o bonitão não estava disponível para preencher o cargo de “possível candidato a Pai Kiki” , pois já possuía uma namorada, percebi que realmente quando a esmola é demais o santo que não desconfia é trouxa, e lá continuei eu, sozinha, macambuzia e sem nenhuma outra possibilidade para aplacar a minha solidão.

Quem está solteiro sabe que os amigos que já encontraram a tampa de suas respectivas panelas tentam ao máximo ajudar o próximo indicando ou apresentando amigos que também estão solteiros. O que a gente esquece é que quando se trata de relacionamentos já é muito difícil encontrar alguém que combine com a gente, então imagine quando isso passa pelo crivo de outra pessoa?  De vez em quando algum dos meus amigos  resolve dar uma forcinha básica para acabar com a minha solteirice e tem a brilhante idéia de me apresentar algum candidato. As vezes dá certo e a coisa rola, mas depois de um tempo a gente percebe que a pessoa escolhida poderia ser perfeita para o amigo que te apresentou e não prá você. Portanto caros amigos solteiros fujam dos encontros arranjados como o Diabo da cruz. Desastre completo. Quer dizer, não foi um desastre completo, pois o candidato e questão, diferentemente dos outros homens que eu já conheci, não fez a menor questão de esconder nenhum dos seus defeitos apenas para me agradar. O que me poupou o tempo para que eu mesma pudesse descobrir que ele realmente não tinha nada a ver comigo. Ponto prá ele, pelo menos nesse quesito.

O fato é que com a proximidade do dia dos namorados percebi que eu, assim como nos últimos dois anos, continuo sozinha, mas isso não é definitivamente uma coisa ruim. É preciso ter paciência, encontrar alguém bacana não é como ir à feira e escolher um mamão com a carinha melhor. Não acredito em homem perfeito, aquele engravatado perfeitinho com covinhas no rosto, com sorriso de comercial de creme dental e nem naquele cara engomadinho e bem humorado de comercial de margarina. Aquele namorado lindo estampado no outdoor do shopping e aquele deus grego do catálogo da última coleção de cuecas da Hugo Boss só existem mesmo ali, naqueles pedacinhos de mídia feitos para mexer com a imaginação da gente. E nesse quesito cumprem bem o seu papel. A gente surta e passa semanas apaixonada pelo Brad Pitt em Tróia e depois se esquece dele porque outra paixonite tomou conta do seu coração, afinal lançaram PS eu te amo e as moçoilas estão agora brigando para sonhar com o Gerard Butler. Paixão platônica faz a vida ter mais graça, é divertido, mas a gente sabe que quem é de carne e osso precisa de muito mais prá viver. Os galãs da publicidade e do cinema são o nosso ideal de beleza sim, mas mulher se apaixona mesmo é pelo jeito. Bonito, engraçado, cheiroso, charmoso e encantador são apenas algumas das características que nove entre cada dez mulheres citam, antes de definir o seu parceiro ideal. E não é só o sexo feminino, parece que a maioria dos homens também prefere um jeito encantador à pares de pernas ou uma bunda qualquer.  Dados oficiais eu não tenho, mas posso providenciar para um outro post qualquer.

O fato é que o cara perfeito pode ser o mais imperfeito dos seres, mas é ele que vai conquistar o coração da gente porque só ele tem o jeitinho especial capaz de fazer isso. Esse jeito é uma coisa que ninguém explica. Pode ser o sorriso, pode ser a voz, pode ser o abraço, uma risada ou um jeito qualquer que fez você notar aquela criatura ali no meio de outros tantos.  Jeito é jeito, não se encontra isso em anuncio de cueca.

Hoje eu tinha tanto sobre o que escrever que resolvi que não escreveria sobre nenhum dos temas pelos quais divaguei. Não queria falar de crise econômica,nem sobre as demissões ou fusões dos últimos tempos, não queria ser mais um a falar da tragédia do voo 447 por mais doloroso e importante que o tema seja, não tinha a intenção de falar sobre o fato de que voo não tem mais o acento circunflexo, segundo a reforma ortográfica, não queria falar sobre a vida dos famosos e nem tampouco sobre a escandalosa politicagem brasileira, temas extremamente importantes, mas já dissecados por todas as mídias competentes dos editoriais do país e do mundo. No meio desse cenário sujo e encardido, em meio a tanta coisa ruim, resolvi que melhor é falar um pouco sobre coisa boa. E na minha visão, coisa boa é felicidade.

Martha Medeiros cita em um de seus textos o poema “Alegría de la tristeza” do Uruguaio Mario Benedetti. Impossível não parar para pensar um pouco a respeito quando ele diz que existe certa alegria na tristeza, ainda que pelo fato de que sentir tristeza é melhor do que não sentir absolutamente nada. Engraçado que outro dia eu estava dizendo a um amigo exatamente isso para elucidar a minha opinião sobre o fato de não estar absolutamente apaixonada por ninguém. Numa conversa com o menino-amigo-de-ouro, tentava explicar que existe certa beleza em estar apaixonado. Recomendo que todo mundo esteja sempre apaixonado, mas não necessariamente por outra pessoa. Podemos estar apaixonados pelo nosso trabalho, pela nossa vida ou pela gente mesmo.

A coisa ta feia por aí. A vida anda amarga demais e não é possível que não exista um propósito por trás de tudo isso. A gente precisa, mais do que nunca, aprender a valorizar os momentos felizes de que dispomos na vida. Brigamos por um emprego melhor, pela melhor vaga, pela melhor roupa, mas somos absolutamente incapazes de brigar pela nossa felicidade. É porque nesse caso a briga é com a gente mesmo e aí a coisa complica. Sabendo que a responsabilidade pela nossa felicidade é exclusivamente nossa, é difícil aceitar e brigar por isso. Fácil mesmo é esperar que a nossa alegria seja causada pura e simplesmente pelos outros. Tem gente que acha que não encontrou a felicidade, que em algum momento ela vai bater à porta e dizer: Cheguei! Mas não é assim. Quem passa a vida procurando a felicidade não encontra. Não encontra porque não sabe o que exatamente está procurando. Felicidade pode ser ver uma criança sorrindo, pode ser ouvir uma musica que você queria e nunca tocava, felicidade pode ser aquela sensação de calor no peito quando a gente se apaixona ou ajuda alguém sem esperar nada em troca. Felicidade pode ser um gol do seu time ou um pastel de queijo na feira, não ta na forma, ta no conteúdo. Ela chega e vai embora toda hora, sem aviso, sem alarde.

Quando você cria uma expectativa em relação à vida, mas tem medo de demonstrar isso porque tem medo que essa felicidade nunca aconteça, talvez ao invés de estar se protegendo, esteja na verdade, trabalhando contra si mesmo ou quem sabe inconscientemente sabotando aquele ideal de felicidade. Parece estranho, mas às vezes por medo de ser infeliz a gente desiste de lutar. Acaba aceitando o que a vida nos oferece e nem aproveita direito aqueles momentos únicos e felizes que passamos tanto tempo ocupados procurando e esquecemos vivê-la. Ledo engano, achar que é no final que a coisa fica boa, ledo engano achar que felicidade é obra do acaso, da sorte. Felicidade não é direito, é obrigação. Felicidade é a capacidade que a gente tem de transformar a tudo e a todos no melhor que se pode ter e acreditar de verdade que a gente merece sempre e somente, todos os dias da vida, ser irremediavelmente feliz.

- Não, eu não vou sair.

Ta certo! Ninguém acredita mais quando eu falo essa frase! Minha credibilidade para fazer este tipo de afirmação anda tão em alta quando a habilidade de Mãe Kiki em desvendar os segredos do mundo, ou seja, quase nula.

- Bora tomar vinho no bar. O clima está propício.

- Ah, bora então.

Tá fazendo um frio do cão em Campinas, e mesmo sabendo que a minha pele não tolera muito bem o frio, quando o meu telefone toca parece que eu fico imune. Ignoro os avisos e encapotada lá fui eu tomar vinho no bar. E pior, quando eu bebo, eu fico rica, mas o cartão não entende a mensagem e grita aos quatro ventos que não autoriza aquele gasto.

_ Shiiiiiiii…Como azzim não autorizaaa? Quem manda na minha vida zou eu…shiii..e blá…blá…bláa…( quando eu fico bêbada eu fico rica e palestrante).

Acabou a bebida, acabou o dinheiro e amanhã eu tenho que trabalhar, então finalmente recobro a consciência e vou embora. No dia seguinte a “Escola de Samba Unidos do Tiquedum” resolve fazer um showzinho dentro da minha cabeça. E pior, eu tenho que trabalhar., lembra? Duas horas no chuveiro, 30 minutos para tomar uma xícara de café e um dia inteiro para organizar os pensamentos na cabeça, e a famosa frase:

_ Eu nunca mais vou sair, nunca mais vou beber. Nunca mais.

Por mais lindo que pareça o discurso, nem eu acredito mais nele. Tenho ímpetos de jogar fora o celular, mas não encontro força suficiente para tanto. Só por Deus!

Chego no trabalho. Recebo a notícia de que tenho um problema de matemática para resolver. Penso que pode ser na verdade um trabalho de outro mundo porque cá entre nós, como fazer para pagar contas que somadas equivalem a três vezes o seu salário? Só um milagre. Ou, joga tudo prá cima e paga as que caírem primeiro.

Eu tô fudida até segunda ordem. E acreditem, não, não é no bom sentido da coisa.

Há muito tempo atrás, nem me recordo exatamente como, fiz um teste vocacional, desses que a gente faz quando não sabe ou não tem certeza absoluta daquilo que quer fazer. A princípio eu queria fazer letras. Era fascinante a idéia de escrever livros, aprender todas as regras da língua portuguesa, ensinar literatura, traduzir textos e de quebra ajudar a transformar a educação do país. Eu era uma idealista bem é verdade, e para todos aqueles que me diziam que isso não tinha futuro, eu tinha discursos inflamados na ponta da língua. Idealizava a profissão e todas as oportunidades que ela poderia me oferecer. Desisti parcialmente da carreira e resolvi estudar outras possibilidades: História, jornalismo, economia, arquitetura, filosofia, sociologia, e finalmente decidi realizar o teste.  Publicitária na cabeça! Publicio-quê? Como assim? Deve haver algum erro. Imagine. Eu aqui apaixonada por profissões líricas, filosóficas, artísticas e o nego me vem com esse lance de publicitária? Que Diabos é isso? Estes testes às vezes erram mesmo, não se pode confiar cem por cento.

A gente sai do colegial com 17 anos teoricamente. É nessa idade que a gente precisa decidir a profissão que vai ter pelo resto da vida. Precisa fazer vestibular e precisa trabalhar prá pagar o cursinho ou a faculdade, mas precisa se dedicar aos estudos e então a coisa complica. Com isso resolvi adiar essa historia de faculdade e profissão e fui trabalhando nas coisas que apareceram por pelo menos mais cinco anos. Confesso que dentre todas aquelas possibilidades de profissão, letras e jornalismo foram as que restaram na minha cabeça. O curso de Comunicação Social envolve tanto o jornalismo como a tal da publicidade, com isso até que o teste vocacional podia não estar tão longe assim da realidade. Lá pelas tantas entre uma profissão e outra acabei indo trabalhar em uma agencia de publicidade. Eu não acredito que o destino faça todo o trabalho sozinho, mas que ele dá um empurrãozinho, ô se dá! Foi aí que eu comecei de fato a entender a profissão e pouco a pouco me apaixonar por ela. Visto de dentro é tudo tão diferente do que se imagina que imediatamente eu me envolvi a tal ponto que hoje, não acredito que conseguiria fazer outra coisa da vida.

Aos poucos eu descobri que ser publicitário não é só fazer comercial de TV e assinar contratos milionários. A maioria das pessoas que faz isso hoje, não é publicitário por profissão, a publicidade é uma questão de paixão. Paixão absoluta, pura, simples, visceral. A gente se sente completo quando faz um evento, vende uma campanha, conquista uma conta. O dinheiro é importante, mas não é a mola propulsora, a paixão é que é. A satisfação da lógica de se criar uma estratégia que vai fazer o seu cliente vender mais, ter um ponto de venda mais eficaz, entre outras coisinhas é o que faz com que trabalhemos doze, quinze horas por dia e ainda tenhamos fôlego para defender com unhas e dentes que fazer o que a gente ama está acima de tudo. O fato é que não adianta, embora para alguns seja loucura passar tantas horas se dedicando ao trabalho, sem vida social ou correndo como um louco, prá gente, loucura mesmo é passar fazendo algo de que não se gosta.

Tenho um problema sério a ser resolvido, prá mim todo mundo é legal até que se prove o contrário. Estou reavaliando este meu conceito visto que tem bastante gente fazendo questão de me provar o contrário. Admito que não seja nenhum modelo de conduta a ser seguido e nem estou aqui prá dizer como as pessoas devem viver as suas vidas, mas aceitar que se envolvam na minha, dêem palpites, ou saiam por aí me aí rotulando, ah isso não! Tem coisa que eu até relevo, deixo prá lá e me limito a riscar a pessoa da minha lista de contatos e ignorá-la como um trapo velho sem o menor problema. Sou uma pessoa calma, acredito que a idade me trouxe certa serenidade e não sou dada a bate bocas e outras coisinhas medíocres, mas é claro que tem gente que abusa. Não preciso fazer média só prá dizer que tenho amigos, as poucas pessoas que considero fizeram por merecer, e não estão ali apenas preenchendo espaço. Prefiro que continue assim a viver rodeada de pessoas que só se aproximam da gente para fingir que são legais. Parece estranho né? Mas acreditem, tem gente que precisa fingir um incontável número de qualidades que no fundo, nem sabem direito o que significa.

 

Eu não ligo, deixo que eles aprendam com a vida. Nenhuma das rugas que eu virei a ter serão causadas por esse tipo de pessoa pequena. É a vida quem ensina como as coisas funcionam, a máscara cai em algum momento e o palhaço fica ali, exposto, ridicularizado, e acaba indo freqüentar outra turma, outro ambiente para continuar maldizendo pessoas, criando outros conflitos, colecionando mais inimigos, até que um outro dia, a máscara cai novamente e coisa continua. Deve ser uma vida muito triste esta de viver fingindo que é alguma coisa, escondendo as más tendências e a absoluta falta de caráter, deve ser mais triste ainda quando a gente precisa olhar no espelho e perceber que não tem orgulho algum daquilo que se vê refletido ali.

 

Na minha vida eu conheci algumas pessoas assim. Não é um número significativo, mas causa certo desconforto quando a gente percebe que se deixou enganar. Mas a maioria das pessoas que se provaram tão pequenas, o tempo sempre acaba levando como uma poeira qualquer da qual a gente nem sequer lembra terem passado pela nossa vida. É engraçado notar, que pelo menos na minha vida, este tipo de pessoa tinha um padrão de comportamento. Todos invariavelmente se achavam bem mais do que eram na realidade. Típicos exemplares de fodão-merda. Gente mesquinha, bobinha, chatinha, que precisa se destacar em algo. Ou se acham bonitos demais, legais demais ou se escondem atrás de alguma posição de comando apenas para esconder o quão insignificantes são na verdade. Outro dia, tentando entender as atitudes de alguém que se dizia tão inteligente, percebi que toda aquela oratória vazia não passava de disfarce para esconder uma personalidade inferior. Não se mede uma pessoa pelo seu tamanho e nem por quantos exemplares de Super Interessante ela lê por semana. Podemos medir uma pessoa apenas pelo seu caráter, independente de todo o resto. Inteligente ou ignorante são apenas palavras. Ser ignorante não é ser burro e ser inteligente não é saber coisas que não interessa a ninguém. Mas o que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum, é saber o que significa caráter e simplesmente não usar.