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Caros e nobres amigos. Não é só de histórias pra lá de loucas, causos e revelações bombásticas que vive este humilde Blog. Isso também, é claro, mas um pouco de informação também vem a calhar, é ou num é?
Pois bem, o português está mudando. Não o Sr. Joaquim, aquele simpático bigodudo da padaria da esquina. Não, não. A partir de janeiro de 2009 começa a vigorar o novo acordo gramatical que tem por objetivo alterar a maneira como grafamos algumas palavras.
Oh yes, baby now! Ou melhor, daqui a pouco.
Aquietem-se companheiros que não gostam de mudanças repentinas. O brasileiro, nosso povo sofrido terá até 2012 para se acostumar com a mudança. O novo acordo andará lado-a-lado-parceiro com a ortografia vigente.
Pra quem acha que nossa vida não vai mudar muito, é prudente avisar: Algumas mudanças pra lá de esquisitas estão por vir. A partir de 2009, por exemplo, o uso da trema será absolutamente banido de nossas vidas para todo o sempre. Tudo bem, muita gente já não usava, outros ficavam sempre na dúvida. Agora ela descansará nos braços de Morfeu para todo o sempre.
O povo brasileiro está dividido. Algumas pessoas acham que a mudança é desnecessária, outros acham que veio a calhar. Eu ainda não sei. Estou pesquisando, discutindo e analisando. Por um lado qual a necessidade? Por outro, imagine se ainda nos tratássemos por Vossa mercê até hoje? Hum, estranho.
Além da extinção do trema, o pobre hífen também será eliminado em alguns casos específicos. Para aqueles que ainda não decoraram todas as regras anteriores a que o uso do hífen estava submetido, aproveitem para decorar somente as novas.
Mudanças no uso dos acentos agudo e circunflexo em minha opinião vieram para melhor, além disso foram abolidos também os acentos diferenciais que separam os pares pêlo/pelo, péla/pela (e viva o amor livre), mas permanecem os acentos que diferenciam o plural do singular (é porque senão vira zona). Basta prestar atenção que dá tudo certo no final, assim espero.
Entre outras mudanças, a que mais alegria me trouxe foi saber que as letras K,W e Y foram reintroduzidas em nosso alfabeto que conta agora com 26 letras. Imaginem vocês quantas vezes os professores pularam o meu nome ao fazer a chamada nos tempos de escola, quando essas letrinhas viviam marginalizadas? Que bonitinho! Imaginei as letrinhas segurando aquelas plaquinhas de protesto reunidas em um piquete reivindicando melhores condições de trabalho. Ô dó!
Pra quem quer se informar melhor sobre as mudanças, basta entrar aqui ó, que ta tudo explicadinho. Com mais informação, você pode aproveitar e decidir o que acha sobre a mudança.
Infelizmente, na minha modesta opinião, num país onde grande parte da população ignora o uso comum da norma culta, tais mudanças provavelmente não surtirão o mínimo efeito. Se o governo resolver produzir cartilhas explicativas apresentando as mudanças a nossa população, poderia aproveitar o investimento em papel e fazer logo a gramática inteira. Tenho certeza que num país onde uma boa parte consegue apenas assinar o próprio nome, tais mudanças não farão nenhum sentido. Mas quem sabe né? Afinal, quanto mais informação, melhor.
Ela chegou de salto alto, batom, cabelo e sorriso de menina. Elegante, mas com uma expressão de canto de boca que eu sabia que mais tarde ia me revelar alguma coisa. Fazia mais ou menos uns quatros anos que não nos encontrávamos para tomar um café e filosofar sobre a vida.
Lá pelas tantas, nas idas e vindas das nossas conversas, que deram voltas e voltas que iam desde assuntos do cotidiano, o que fizemos de nossas vidas, a crise do mercado financeiro, homens e etc, ela me vira e me fala:
Preciso te contar uma coisa!
Eu sabia que vinha chumbo grosso por aí. Sabia!
Eu já estive curiosa para saber como seria dormir com uma mulher. Eu dormi, passou a curiosidade, e posso te adiantar. Foi bom demais!
Uh!I didn’t see that comming!
Refeita da cara de susto, olhei bem pra ela, e só consegui dizer:
Não acredito! Você?
Poisé! Ela.
Milhões de perguntas vieram a minha cabeça, e creio que tenha feito todas. É uma das vantagens de ser uma pessoa desprovida de preconceito e hipocrisia. Perguntei tudo e mais um pouco e fiquei absolutamente admirada pela coragem de alguém de viver algo que por algum momento lhe trouxe algum prazer. Mais admirada ainda pela confiança de dividir comigo algo tão pessoal.
Outro dia, um outro amigo chegou e me disse que estava muito feliz e que estava namorando. Virou e me disse, você precisa conhecê-lo, ele é lindo!
Opa! Falei pra ele, não esqueceu de me contar algo antes disso não?
Eu confesso que não sabia que ele era gay, assim como também não sabia que a minha amiga tinha aquela curiosidade. Enfim, a mim, pouco importa. Nenhum dos dois estava com cara de triste. Fiquei muito feliz por ambos.
Assim como eu acho hipócrita a idéia dos homens machistas de procurar uma donzela virgem para o matrimônio, acho também muito hipócrita essa história de condenar as pessoas que confessam suas fantasias sexuais. Pesquisas apontam que 90% das mulheres confessam que já sentiram desejo por outra mulher. Ok, e os outros 10% não sentem ou não confessaram? Entre homens esse número cai bastante, mas existe também uma outra pesquisa que diz que os homens mentem com muito mais frequencia.
Passei muito tempo ouvindo algumas pessoas dizendo coisas sobre sexo ser pecado, entre outros absurdos. Se a maioria das coisas que eu ouço por aí for pecado, a humanidade está condenada e todos nós vamos arder no fogo do inferno.
Portanto, depois de ouvir uma série de confissões de alguns amigos, preocupados com a minha reação, tento esclarecer que na verdade o que me deixa chocada é ver pais matando os próprios filhos, inveja, maldade, o Faustão aos domingos. Acho nojento o grupo Calipso e as mulheres Horti-fruti resultado da carência de cultura do nosso povo. Acho feio, muito feio roubar, matar, falar mal da vida alheia ou desejar mal a alguém.
Agora, feio mesmo é julgar a si próprio como soberano da verdade, e esquecer que cada um pode gostar do que bem entender, mas respeito, respeito mesmo, esse é bom e todo mundo gosta.
Bonito é ter coragem, falar o que pensa, viver a vida que escolher. É pena, mas os hipócritas ainda estão em maior número.
Tenho uma série de amigos que vivem a vida intensamente, livre de preconceitos e outras coisinhas idiotas. Se eles arderem no fogo do inferno, eu vou junto. Primeiro porque eu estou longe de reunir os atributos das carmelitas descalças e segundo, porque se os meus amigos estiverem lá, pessoas maravilhosas que eu conheci na minha vida, o céu vai estar um porre. Quero mais é ir pro inferno, afinal estamos ou não estamos em uma demo-cracia? Fala sério!
Pois muito bem. Voltando ao assunto do texto e deixando um pouco de lado essa história de céu, inferno, pecado e blá, blá, blá, me pergunto: Após uma série de confissões inesperadas qual seria o modelo dos relacionamentos nos tempos vindouros?
Fica a minha dúvida: O futuro das relações será baseado cada vez mais nas relações solitárias e virtuais, fruto não só da falta de comunicação entre pessoas que preferem se esconder atrás dos seus desejos e preferências ou no futuro, o sexo pouco irá importar e as pessoas irão deixar as convenções e hipocrisias de lado e finalmente entender, conviver e respeitar as diferenças?
Não importa se você gosta de meninos, ou de meninas. Não é isso que define o seu caráter. Nada daquilo que só diz respeito a você, pode ou deve ser questionado como certo e errado. Até porque, quase que em sua totalidade, aqueles que passam muito tempo questionando o que outros fazem, estão na verdade tentando tirar o foco de si mesmos, esperando que as luzes se voltem para o outro, pra ter tempo de sobra pra esconder a própria sujeira embaixo do tapete.
Qualquer pessoa que tenha visto o vídeozinho do terrorista morto na internet sabe que existem alguns momentos em que dá uma vontade danada de falar a sua frase mais expressiva. Tem gente que perde a oportunidade de ficar quieto e depois que deixa a oportunidade passar não adianta mais. A palavra, depois de proferida não volta mais.
Pois bem, estou eu, tranquilamente sentada na mesa do bar e de repente um ser me vira e lança sua pérola:
- Eu não sei, mas pra mim, mulher que fuma parece mulher de vida fácil.
Confesso que fui pega de surpresa, e sem conseguir muito bem assimilar aquele comentário ridículo virei e falei:
- Desculpa?
O pobre louco insistiu na frase. E olha que eu amenizei o adjetivo que ele usou para definir as pobres mulheres fumantes.
Pois muito bem. O Frei da moto, como eu carinhosamente irei me referir a ele daqui prá frente, só podia estar bêbado. Não que isso justificasse o comentário, mas seria uma explicação.
O Frei da moto não pensou, nem por um momento sequer no que aquele comentário poderia causar na mesa. Eu estava sozinha, Buffalo Bill estava conversando animadamente em outra mesa, ignorando o fato de que dentro em breve ela ficaria irritadíssima ao saber do que se passava ali em nosso convívio.
Pois muito bem, acometida de um sentimento de raiva intenso e investida do poder de me revoltar contra aquela hipocrisia toda, vociferei nervosa:
Deixa ver se eu entendi direito. Você está querendo me dizer que nos dias de hoje, ver uma mulher fumando é algo muito vulgar. Você, o mesmo cidadão que tira foto da bunda das meninas com a máquina do saco de vacilo que você insiste em trazer ao nosso convívio? Fala pra mim que você não se derrete todo ao vez uma criatura de vênus andar semi-nua pelos bares rebolando ao som do creu? Fala que você é tão hipócrita ao ponto de criticar uma pessoa que fuma e se dar ao direito de julga-la não pelo seu caráter e sim porque você acha que mulher que fuma parece puta?
Faz assim queridão. Vira seguidor de Alá e se oferece para ser homem-bomba. Depois que você explodir, siga em frente e vá encontrar as suas virgens do paraíso, combinado?
Portanto já que ultimamente muitas pessoas têm se dado ao trabalho de comentar a minha vida e a de outras pessoas que fazem parte do meu convívio (tendo sido realmente escolhidas para isso), eu vou começar a distribuir alguns presentinhos para preencher a vida vazia das amebas de plantão.
Gatos e contas a pagar serão alguns mimos que eu disponibilizarei aos próximos hereges que ousarem se pronunciar a meu respeito sem o mínimo conhecimento do que se passa na minha humilde vida.
Não precisa de muito talento para aprender algumas coisas sobre a vida. Não precisa ser filósofo, sociólogo ou qualquer outra coisa que possa requerer um estudo mais aprofundado. Na maioria das vezes tudo o que aprendemos da vida, aprendemos vivendo não tem jeito. E na maioria das vezes também, mesmo quando não queremos enxergar a vida esfrega algumas coisas na nossa cara.
Não há momento mais bonito do que aquele momento em que você está ali, de bobeira e a vida vem e te dá um belo beliscão no traseiro querendo dizer nada mais nada menos do que: “Acorda!”
Quando isso acontece, não adianta, você já foi sacudido, vai ter que olhar pra frente, quer queira, quer não. Nessas idas e vindas, nesse espaço dantesco que existe entre o passado e o presente, fica a questão mais importante de todas. É hora de seguir em frente? É chegado o momento de parar de olhar no retrovisor, que é tão pequeno e ter a coragem de olhar apenas pelo vidro da frente, que é bem maior?
É uma escolha pessoal. Não existe receita, mandinga ou livro de auto-ajuda que possa fazer com que alguém desperte para algumas coisas da vida. Cada um tem o seu tempo certo e exato de descobrir suas verdades e mudá-las mais tarde, quando bem entender.
E o medo? Volto a falar de medo porque acredito que é ele que faz com que as pessoas se acomodem. O medo paralisa e enfraquece. O medo das escolhas, dos fracassos, das tentativas nos torna prisioneiros em uma vida medíocre e sem graça, pois só não erra, quem não tenta. E como Benjamim Franklin disse, e eu não sou nem louca de discordar:
Ter certeza é melhor que ter dúvida.
Acordar é melhor que ir dormir.
E até o maior fracasso,
Até o pior, mais irretratável erro,
Supera o inferno de nunca ter tentado!
Desafio é a palavra de ordem. Desafio e desatino. Desafio é opção, fui eu que escolhi e assumo toda e qualquer responsabilidade que essa escolha acarretar, principalmente a de ser feliz. Desatino por imposição. Da vida, dos momentos e das pessoas que me cercam e que insistem em me convencer de certas coisas.
É um desafio entender tanto desatino e é uma loucura aceitar os desafios que virão pela frente. Mas eu to aí prá dar a cara a tapa. Cansei de bancar a pessoa legal, boazinha que no fundo acaba sendo tonta. Ser tonto não é legal, faz você perder as rédeas da sua vida.
Pode me chamar de louca, mas quando foi que eu disse que queria ser normal? Eu não quero, quero ser louca, quero ser boba, eu quero ser qualquer coisa que eu queira quando me der na telha. E gente normal me dá nos nervos, só prá esclarecer.
Eu não sou um desatino. Eu estou. E digo isso com orgulho apesar de não ter escolhido. Que me perdoem os sãos, mas faz parte daquela loucura que precisa ser perdoada sabe? E que a minha seja.
O desafio é alçar vôos mais altos, mais bonitos. Tem lugar prá mais gente nesse vôo mas precisa ter o brilho inconstante, tem que se jogar sem medo, se arriscar. Precisa ter coragem, não é prá qualquer um.
Uma hora eu volto, mas nunca mais eu vou ser a mesma depois de tudo o que eu viver. Talvez algumas coisas não se encaixem mais como se encaixavam antes, talvez algumas coisas não façam mais sentido.
Faz parte deixar algumas coisas prá trás prá recuperá-las novamente mais tarde, bem melhores. Se valer o risco, é claro.
Na verdade eu não vou sair do lugar. Não vou à parte alguma. Mas estou aceitando o desafio de me encontrar, de mudar se precisar, de sair à rua como quem foge de casa, como Quintana. E que se abram, não os caminhos do mundo, que já estavam abertos quando eu cheguei aqui, mas sim os caminhos da alma, porque esses só se abrem de verdade quando a gente deixa de procurar lá fora, ou nos outros, aquilo que na verdade, sempre morou dentro da gente.
É impressionante como ao zapear com o controle remoto aos finais de semana eu sempre paro nos filmes de amor. É nojento, eu sei. Não combina nem um pouco com a minha postura-filha-da-puta-recém-adotada. Mas a verdade é que eu posso não acreditar no sucesso dos relacionamentos na vida real, mas na ficção eles acabam me convencendo e aí entre assistir 300 de Esparta, Elisabeth ou qualquer outro filme mais denso oferecido pelos canais e assistir comédias românticas com finais felizes previsíveis, não é de se estranhar que eu acabe ficando com a segunda opção.
Ele é um consultor sentimental, ganha a vida ensinando truques de sedução para homens aparentemente desprovidos de qualquer sensualidade. Ela, uma terapeuta ou coisa assim que ajuda pais a se livrarem de filhos trintões que ainda vivem debaixo de suas asas e tetos.
Ele utiliza as diversas técnicas de sedução para que seus clientes encontrem seu verdadeiro amor. Ela descobre o que os homens gostam e finge gostar também, a química é perfeita e os bebezões rapidamente decidem abandonar a hospitalidade materna.
Ele se apaixona por uma jornalista durona e a conquista exatamente quando não utiliza nenhuma das suas técnicas. Seu charme e carisma advêm de suas sucessivas trapalhadas que vão desde desferir um chute inocente nela até uma intoxicação alimentar sucedida por um porre de xarope anti-alérgico.
Ela finge se apaixonar e ele tenta terminar com ela pois tem medo de se envolver seriamente com alguém. Ela não desiste e ele acaba conseguindo que ele se apaixone num relacionamento que acaba baseado em uma mentira.
Ele se apaixona, mas como o relacionamento é baseado em uma mentira, sua amada acaba decepcionada. Idem para ela que ao ser pega em sua mentira, quase perde o grande amor de sua vida.
Ah, que lindo…
É claro que no final, tanto em Hitch quanto em as Armações do amor, tudo dá certo no final, ainda que as técnicas bem sucedidas na arte da conquista nada tenham a ver com as intencionalmente empregadas.
Dá prá acreditar que eles não estejam no mesmo filme?
A idéia desse blog surgiu porque sempre que eu narrava às pessoas as coisas que aconteciam comigo ou com alguns amigos a maioria dos ouvintes quase rolava de rir com uma certa dose de exagero que eu colocava em todas essas narrações. Pois é, a idéia básica do blog seria a de escrever algumas crônicas dessa pobre mortal que busca entender o grande propósito FDP de viver na terra. Ainda não descobri, mas nesse meio tempo muitas outras coisas aconteceram e eu aprendi muitas outras coisas que gostaria aqui de dividir com vocês:
Eu aprendi que quando a prefeitura faz uma obra nem sempre a população é beneficiada totalmente. Estou preocupada com a construção de novos canteiros em frente ao meu prédio. Teoricamente seria para facilitar a travessia de pedestres e organizar o fluxo de carros. Tenho cá minhas dúvidas se a obra não serve apenas para fazer com que as senhorinhas tropecem.
Saudade é uma coisa que dói demais. A saudade é uma espécie de Highlander. Não adianta tentar matar a saudade, ela só aumenta. Tenho vários amigos de quem eu sinto muita saudade. Vê-los me trás recordações e enche meu coração de alegria, vê-los partir me deixa triste novamente. Mas eu também aprendi que o amor não precisa estar perto, precisa estar dentro.
Eu aprendi que aquela história de cuidar do seu jardim e deixar que as borboletas corram atrás de você, na verdade não tem nada a ver. É puro blá, blá de livro de auto-ajuda. Eu aprendi que se um monte de borboletas correr atrás de mim é porque gafanhoto ta em falta. É praga na certa! O lance é lutar por tudo aquilo que você ache que vale a pena e pronto, ficar sentado esperando as coisas acontecerem só vai ser útil para transformar você em uma pessoa obesa.
Livros de auto-ajuda foram inventados para deixar você mais pobre e os escritores mais ricos. Compre livros, leia muitos outros, mas não desperdice seu dinheiro suado (ou não) com livros que ensinam coisas óbvias. Já espiei uns 30 desses e nenhum deles me despertou sequer uma pequena vontade de comprá-los. Mas, é só um conselho.
Não existem príncipes encantados e eles muito menos aparecerão montados em um cavalo branco. Se existe, o meu deve estar vindo de jegue e já me irritou pois tá demorando demais. Na verdade não é que a tampa da sua panela não exista, o fato é que a grande maioria das pessoas passa mais tempo idealizando alguém do que de fato observando e percebendo algumas pessoas que estão à sua volta. Meninas se produzem para ir à festas, baladas, raves, micaretas e afins e não percebem que alguém interessante pode aparecer ali ó na fila do pão no supermercado, na locadora ou no café, quando a lei dos “smurfs” fará com que você esteja usando camiseta e havaianas.
Haverá durante a minha humilde existência momentos em que eu me sentirei dividida e com muito medo de tomar uma decisão. Embora em algumas vezes a resposta esteja na nossa cara, na maioria vai ser difícil decidir por um caminho ou outro. Na verdade, eu aprendi que o risco faz parte do sonho e muitas vezes, quanto maior o sonho, maior o risco, Mas a verdade é que quando dá certo, o vôo mais alto é o mais bonito. E aí tudo lá em baixo fica bem menor quando visto de cima.
Estou gorda!
Hum novidade! Pode deixar que esse texto não será igual que aquele outro onde eu dizia estar gorda. Na verdade todo mundo já sabe disso. O que ninguém sabe, ou talvez só algumas pessoas saibam é que meus amigos também estão. Nada pessoal não estou aqui para apontar os meus amigos que estão gordinhos. Não que eles sejam, mas eu gosto de tratá-los assim.
O que acontece é que parece que uma febre fitness está tomando conta da minha roda de amigos nos últimos tempos. Todos estão desesperados para manter seus corpinhos, digamos, em dia. Antes quando íamos ao bar, tudo era mais tranqüilo. Ríamos, comíamos, tirávamos sarro das nossas mazelas e etc. Agora mudou o rumo da prosa, todos estão praticando atividades físicas regularmente matriculados em academias e etc.
E eu? Eu continuo comendo salgadinho, obrigada.
Não é que eu queira continuar assim só comendo porcaria, mas é que comida saudável é ruim que dói e atividade física dá uma preguiça. Não é minha praia mesmo. Além do mais, nenhum dos meus amigos acredita que eu consiga sair da inércia e de fato começar a praticar uma atividade. Eu vou, juro que vou, mas é que agora, tenho outras prioridades sabe? Mas eu vou. Vou deixar registrado aqui, vou mandar por e-mail e copiar até Deus no dito cujo.
A coisa ta tão séria que foi lançado até um desafio no bar. Trata-se do projeto humilhe seu amigo. Todos estão malhando, se preparando, correndo, fazendo dieta prá daqui a 3 meses julgarmos aquele que conseguir o melhor resultado.
Não estou aqui prá dizer que a idéia não é boa. Até porque eu participei ativamente do lançamento do desafio.
O fato que me assusta é que daqui a 3 meses todos exibirão seus resultados e eu serei a juíza. Não por estar gorda demais e não conseguir levantar da cadeira e sim por ser uma das idealizadoras do projeto. Onde raios eu estava com a cabeça quando inventei essa história?
Pois muito bem, como dizem por aí camarão que dorme a onda leva. Vou ter que aderir também, não tem outro jeito.
Portanto quero deixar claro que não farei uso de nenhum medicamento e não vou radicalizar para não acabar com alguma lesão em alguma parte do meu corpinho decrépito, mas aceito toda e qualquer sugestão de alguma atividade física, receita, dieta, mandinga, simpatia ou qualquer outra coisa que possa ser útil para transformar essa preguiça em músculos.
Vocês não fazem idéia da sofrida vida de uma aspirante a escritora leva. Toda e qualquer atividade é sempre um motivo para que idéias de um novo texto fervilhem na minha cachola. Andei um pouco sumida, é verdade mas é que como atualmente figuro entre os milhares de desempregados do nosso Brasil, tenho corrido um pouco e acabo sem tempo para escrever. O importante é que agora estou pesquisando novos assuntos e aproveitando oportunidades de ir a vários lugares. Aproveitando, gostaria de avisar que estou aceitando todo tipo de convite. Festinha de criança, passeio no Zoo, jogo de Voley, batizados, casamentos ou qualquer outra coisa que possa me trazer material para novos textos. Velório eu prefiro não, afinal a coisa é séria e eu sou daquele tipo de gente que dá risada sempre onde não pode, melhor não arriscar.
E não é que dia desses fui convidada a dar um rolê no PS de um hospital da região? Vai vendo, uma amiga que não estava passando muito bem me pediu que a acompanhasse e eu topei na hora, primeiro pelo ato de solidariedade e segundo é claro, pela diversão que eu esperava encontrar lá.
De tanto assistir House, E.R e Gray’s Anatomy acho que perdi meu trauma de hospital e agora estou encarando o lugar de uma maneira, digamos, mais simpática.
Fiquei um tanto quanto decepcionada no início, pois esperava um pouco mais do estabelecimento. Logo na chegada percebi que o local não estava muito agitado. Um vídeo de alguma apresentação circense na tela da TV, duas recepcionistas aparentemente normais e algumas pessoas sentadas na salinha de espera. Todas estavam tranqüilas e no local pairava um silêncio que chegava a irritar.
Devo dizer que não se fazem hospitais como os que a gente vê na telinha. Francamente! Ninguém estava correndo atrás de uma “SO” vaga para uma operação emocionante, ninguém gritava que precisava de mais 100 miligramas de andropina (sabe-se lá o que é isso) imediatamente, ninguém prá dizer aqueles nomes estranhos que eles gritam o tempo todo como: O paciente está apresentando espasmos bilaterais no ventrículo esquerdo (sabe-se lá o que é isso também), ou qualquer outra coisa do tipo.
Minha amiga apresentava um mal estar advindo de sua impossibilidade de evacuar sua região intestinal. Dito isso ao médico o diagnóstico foi imediato:
- Você está com uma virose. Mal estar e diarréia são muito comuns nesses casos.
- Mas doutor, eu não estou conseguindo ir ao banheiro. Não estou com diarréia, na verdade é o contrário.
Ao invés de deixar a minha amiga no hospital, fazer alguns exames, reunir a equipe ou qualquer outra coisa que desse um ar mais americano ao nosso episódio o doutor simplesmente insistiu na tal virose. Puta coisa mais sem graça. Nesses hospitais os caras tem possibilidades muito limitadas de diagnóstico, das duas uma: Ou a pessoa tem virose ou tem dengue. Estudar prá quê? Se a pessoa tem mal estar é virose, se tem febre é dengue, viu?
Lembrei- me de A Moreninha (era inevitável): “Desde Hipócrates, que foi o maior charlatão do seu tempo, até os nossos dias, tem triunfado a ignorância…” Eles não sabem o que dizem…
Tanto insistiu a minha amiga que o médico olhou prá ela com aquela cara de desconfiado e eu tenho certeza que nessa hora ele mudava a porra do diagnóstico prá hipocondríaca. Jesus!
O lado bom dela não estar sendo atendida pelo Dr. Gregory House é que numa dessa, se ela insiste o charmosão pavio-curto receita fenolftaleína amarela e lactose (vulgo lacto-purga) e ainda tira um puta sarro da cara dela receitando uma semana lendo revista no trono. Apesar que devido ao aperto (com o perdão do trocadilho), era exatamente o que ela estava precisando.
Enfim após insistir com o Dr. Sabe-nada, muito a contragosto ele receitou soro e pediu um ultra-som.
Ish lá vou eu prá sala de espera, mais vazia que nunca. A TV engana mesmo a gente, não tem jeito. Fiquei lá esperando os bonitões de Gray´s anatomy versão Brasil passarem e nada.
Litros e litros de água antes do ultrasom e depois de duas horas o veredicto:
- Deve ser mesmo uma virose, mesmo. Vá para casa e descanse.
- Eu pensei: – Não dá só prá mandar ela cagar?
Fomos embora após aquele dia tortuoso enfurnada naquele P.S mega sem graça e no dia seguinte perguntei se ela estava melhor. Num é que ela tava com uma baita diarréia?
Esse Dr. Sabe-nada pode não entender nadinha de medicina, mas o cara daria um excelente vidente, com certeza!
É ou num é?
Não existe nesse mundão grande de Deus, ou pelo menos eu não conheci, uma pessoa que não sinta medo. Eu por exemplo tenho um medo danado de lagartixa. Aquele bichinho asqueroso e nojento que eu rezo todos os dias prá que eu não encontre pela frente. Não gosto e ponto, não sei explicar. Tenho medo de um monte de outras coisas também, mas coisas que não tornam minha vida insuportável, ainda bem.
Acho que o medo é inerente ao ser humano. Todo mundo sempre teve, tem ou terá medo de alguma coisa, mas isso não precisa ser necessariamente ruim. De todos os medos, o que mais me dá medo (com o perdão da frase que ficou esquisita), é o de ser feliz. Felicidade é uma coisa tão estranha que assusta e acho que é por isso que muitas vezes esse sentimento me acovarda absurdamente.
Todo mundo corre atrás da felicidade o tempo todo, mas o dia que a danada bate na nossa porta dá um medo danado de não saber o que fazer com ela. O medo do desconhecido, do improvável, de abrir a porta e descobrir um mundo de possibilidades. Na verdade o medo da felicidade existe em função do medo de perder. Não é a felicidade que assusta, mas o medo de deixar ela passar sem saber o que fazer, aí acaba sendo muito mais cômodo fugir e fingir que corre atrás dela ao mesmo tempo. Eu acho que fugir da felicidade é uma burrice sem tamanho. Mas quem disse que eu não tenho medo?
Medo de mudar de emprego, medo de viajar, medo de dizer o que pensa, medo de dar risada, medo de fugir daquelas regras que ninguém sabe quem inventou e porque, ou até o medo de sentir aquele arrepio percorrer a espinha quando a gente gosta de alguém. Vale a pena deixar que o medo de perder nos impeça de ser feliz dure o tempo que durar ? Sinceramente? Acho que não.
Não adianta, é como eu já ouvi dizer certa vez, o risco faz parte do sonho e medo de amar eu já sei, mas vou continuar tentando…

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