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Em um belo e ensolarado dia, mais conhecido como o-melhor-dia-para-se-dormir-até-tarde, minha mãe entrou no meu quarto quase colocando a porta abaixo:
Kienaste – ela berrou!
Ainda meio bêbada de sono percebi que o bagulho era sério, do contrário ela teria me chamado de Kie. Kienaste saindo da boca da minha mãe vem sempre acompanhado das chispas de fogo que ela cospe junto ao pronunciar a minha graça de maneira mais completa.
Só podia ser sério, porque até a minha mãe sabe que me acordar, principalmente aos berros é algo que não se deve fazer jamais. Sofro de um mal que algumas pessoas definem como puta-mal-humor-do-caralho-quando-acorda, ninguém se arriscaria, neste caso só a D. Rosa, investida do poder de matriarca chegaria tão longe.
Era uma emergência!
- Kienaste, o que você aprontou dessa vez? Tem um oficial de justiça procurando por você….
A primeira coisa que me veio a cabeça foi:
- Caralho, o que será que eu aprontei ontem?
Lembrei que nada de estranho poderia ter acontecido, mas me preocupei por não possuir créditos nem comigo. Afinal nem eu cogitei a possibilidade de ser inocente num primeiro momento.
- Calma mãe, já vejo o que é.
Coloquei a primeira roupa que encontrei no armário e desci. Assinei a tal intimação e não mandei a oficial de justiça prá putaquepariu por me acordar em uma manhã de sábado, porque sou muito uma mocinha muito educada, ou por um medo qualquer de ser presa. Lembrei–me da introdução de Mémórias de um Sargento de Milícias, dizendo que os meirinhos de hoje, não são mais do que a sombra caricata dos meirinhos do tempo do Rei. A moça seria uma meirinha? Mandá-la para a putaquepariu talvez fosse arriscado.
Enfim, como eu não havia feito nada para que a “meirinha” pudesse me levar presa, fiquei mais tranqüila. Haveria um julgamento dali a um mês e eu deveria depor e como eu mesma havia me oferecido para tanto, estava tudo tranqüilo.
Acalmei mamãe e tudo certo. Voltar ao sono dos justos? Acho que seria pedir um pouco demais.
Olha, nunca pensei que me divertiria tanto em fórum, mas narrar as coisas como de fato aconteceram não seria tão interessante, portanto resolvi exagerar um pouquinho sobre os acontecimentos presenciados naquele fatídico dia. Os nomes das outras testemunhas foram alterados para preservar a integridade (ou o que resta dela) dos outros convivas.
Chegamos lá, Eu, Bruce, Touro Sentado, Barbie Búfalo Bill e Dr. Jericó, advogado incumbido da árdua missão de nos orientar a respeito dos acontecimentos.
Deixe-me fazer um comentário a respeito do Dr. Jericó: Criatura de cabelinho ensebado, terno amassado e aparentemente nenhuma idéia do que estávamos fazendo naquele lugar. Sua função era nos orientar, porém para nosso desespero Dr. Jericó não parecia saber muito sobre o caso, visto que nem os papeis que possuía nas mãos o jumento havia lido. Resultado: Empatou a tarde todo mundo. Não acredito que aprendam isso no curso de direito, aulas de como empatar a tarde das pessoas.
Após as (des)orientações do nosso advogado, soubemos que deveríamos prestar esclarecimentos sobre o que vimos na noite do crime.
O Professor Xavier havia desaparecido misteriosamente e precisávamos ajudar a encontrar o meliante sanguinolento responsável pelo sumiço dele.
Que importa o Professor uma hora dessas? Éramos testemunhas, mas fomos tratados como marginais. O bebedouro, local onde poderíamos aplacar a nossa sede, ficava a quilômetros de distância da saleta que nos foi reservada. Até chegar à saleta miserável sem banheiro e sem absolutamente nenhum conforto, lances e lances de escadas nos separavam da saída mais próxima. Ficamos lá, conversando e questionando tudo.
Na sala ao lado, Wolverine estava acuado. O metade-homem, metade-costeleta estava visivelmente cansado, ficou horas dentro de uma sala respondendo toda a sorte de perguntas. Como sempre, todos os indícios apontavam para ele. Eu até tentei paquerar o dito cujo quando fui severamente reprimida por uma senhorinha sentada à minha frente na sala. Aquilo parecia um monastério. Não podíamos paquerar, não podíamos fumar, uma bebidinha então não rola, pensei. E a gente aqui fazendo a nossa parte por um mundo mais justo ein? Ó céus.
Espera daqui, espera dali, todos eram chamados a depor, menos nós quatro. Comecei a ficar nervosa, sem saber direito o que dizer, rezando prá não chamar o Juiz de Meretríssimo sem querer. Barbie e Bruce estavam se abanando a todo instante. Rezei para que o Juiz não perguntasse a Barbie se ela bebia. Senão era capaz de ela pedir duas pedras de gelo para o nosso Magistrado. Bruce já estava a ponto de mandar o juiz tomar no cú por toda aquela espera. Por muito menos ele mandou a avó tomar no cú, imaginem vocês. Touro Sentado foi dispensado do martírio, não entendi muito bem o motivo, alguma coisa sobre ser uma pessoa muito conhecida nas mídias alternativas de nossa cidade. Mas sabe, esse lance de fórum é uma coisa que relaxa a gente. Toda vez que o encarregado por conduzir as testemunhas pronunciava um nome era pura diversão. As alcunhas conseguiam ser mais estranhas do que a minha, quem diria…Foi a vez de Olívia Dedurante depor, resultado: mais risos. Wolverine estaria lascado se o trocadilho do nome desse certo.
Esperamos a volta do Dr. Jericó como quem espera a volta do Messias. Cabelinho ensebado volta e quase perdemos a fala quando descobrimos que a vítima era na verdade o culpado.
O Professor Xavier não havia desaparecido misteriosamente, ele apenas havia comprado um Ford Fusion. Parece que todos os chefes do planeta estão aderindo a nova moda. Nenhum dos amigos de Wolverine contou prá ele que o chefe tinha ido viajar e que todos os mutantes tirariam o dia de folga. Esperto que só, o professor mandou adaptar o novo veículo as suas condições, aproveitou as 60.000 milhas que ganhou com a compra e não avisou ninguém, tirou férias. Sabem como é, dizem por aí que quem dirige um Ford Fusion, fez por merecer.
Eu ouvi em alguma canção certa vez que todos os poetas precisam de um amor não correspondido. Isso porque não há nada mais poético do que uma boa e velha dor-de-cotovelo ou uma bela paixão platônica. As milhares de canções de dor de cotovelo comprovam esta afirmação.
A melancolia dos relacionamentos que dão certo tem o seu charme, mas nada comparado ao romantismo sofrido dos relacionamentos não vividos.
P.S. eu te amo me levou às lágrimas ontem. Novidade, eu sempre choro nos filmes de amor ou drama. Pois é. A diferença básica é que eu não chorei no final ou em uma ou outra cena, eu praticamente chorei em todas as cenas do filme.
O filme é lindo do começo ao fim. Exceto por um detalhe, aquele era um relacionamento que eu queria ter na minha vida. A mensagem básica do filme foi um soco no meu estômago: Não espere muito e não invente desculpas para começar a viver. A vida já começou faz tempo e está aí para ser vivida. Você pode se esconder, ou encará-la.
A mensagem é direta, sem rodeios. A gente começa a refletir sobre o que fizemos até agora e o quanto a vida pode ser divertida se não for levada tão a sério.
Holly Kennedy (Hilary Swank) é casada com Gerry (Gerard Butler), um irlandês engraçado por quem é completamente apaixonada. Boba nada ela, o cara é lindo e fofo. Aliás já estou fazendo uma vaquinha entre os amigos para comprar a minha passagem para a Irlanda. Será que rola? Jesus,será que lá são todos assim? Amém gente! Deus abençoe a Irlanda…
Enfim, o filme é lindo e vale muito a pena. Ô se vale.
Aproveitando a leva de filmes água-com-açucar-momento-reflexão, no próximo post vou preparar uma lista os melhores filmes melosos que eu já assisti.
Satanás está ampliando e diversificando suas atividades. Além de dono do banco onde esta pobre (literalmente) que vos escreve tem conta e além de investir no mercado de telefonia móvel, Sassá como é conhecido pelos mais chegados, agora está investindo em concessionárias de automóvel.
Na época em que fui trocar o meu primeiro carro, a concessionária pertencia a Deus, Nosso Senhor. Quando eu entrei os arcanjos me receberam como se eu fosse uma alma pra lá de boa e merecedora de todas as glórias do paraíso. Cafezinho, cadeira confortável, até massagem nas costas acho que me ofereceram.
Fui tratada como uma rainha. E não é diferente com ninguém, pois até para os mais pobrinhos que não tem como ir até a loja, eles providenciam carros com motorista e buscam o possível cliente até a China rodoviária.
É, mas bastou eu ter a intenção de vender o meu carro sem a intenção de comprar nenhum outro pra ver aquele Palácio Celeste e descobrir que ele tinha virado o Cafofo do Demo.
Pois é caros, amigos. Fodeu. O vendedor veio disfarçado de gente boa, me desejou bom dia e me perguntou:
Ele – Em que posso ajudá-la?
Eu – Eu gostaria de vender o meu automóvel.
Ele – E qual veículo a senhora possui?
Eu – Um Celta.
Ele – Ah sim, o Celta é um veículo excelente, muito bom mesmo. E qual veículo a senhora está pensando em adquirir?
Eu – Nenhum não. Estou de boa, gostaria apenas de vender o meu carro.
Nesse momento foi como se eu tivesse dito que estava ali para matar todos os funcionários da empresa. O vendedor fez uma cara tão estranha que todos os outros vendedores olharam para ver o que estava acontecendo. Me senti cagada naquele momento (literalmente) e não entendia porque todas aquelas caras de espanto.
Uma averiguação rápida no meu fiofó e a certeza de que o problema era outro.
Ele – Vender? Só vender o seu carro não dá, não compensa. O valor de mercado do Celta é muito baixo. A montadora está vendendo o veículo zero por um preço muito bom.
Eu – Mas você me disse que o Celta é um carro bom para a venda. E outra, a montadora não vende o carro com 08 parcelas e IPVA pagos.
Ele – (coçando a cabeça) Ah, já te adianto que não podemos pagar muito, se fosse troca até dava, mas assim só pra venda fica difícil. Certeza que não quer trocar?
A loja não compra porque não pode vender por um valor alto. A gente acaba perdendo dinheiro.
Eu – Foi bem nessa hora que eu tive ímpetos de gritar e xingar aquele filho de uma rameira. Eu parcelei um carro em 1000 prestações com uma taxa de juros que dava pra comprar 3 carros e o vendedor lazarento me vira e fala que eu não posso devolver o carro porque a porra da agência não pode perder dinheiro?
Ao invés de gritar e xingar, arumentei e chorei, mas ele me disse que se ele pagasse mais no carro o chefe dele ia ficar uma fera, pois o sujeito era bravo como o cão (com o perdão do trocadilho).
Não adiantou argumentar. Acho que nessas horas a gente se sente em um daqueles programas de TV dos EUA onde caem serpentinas e confetes na cabeça dos clientes. A loja vira um palco e o vendedor o apresentador. Você no centro do picadeiro é o palhaço.
Tenho certeza que me distraí por um segundo ouvindo o apresentador me dar os parabéns.
Parabéns, você é o nosso cliente trouxa de n° 1000. Acaba de ganhar um nariz de palhaço todinho seu, afinal você merece!
Poisé, agradeci e saí da loja, antes que eu tivesse que vender a minha alma.
Não tinha como resgatar a minha dignidade. Nesse caso ela já estava perdida mesmo.
Amanhã a odisséia continua. Vou tentar outra loja, ver se lá os vendedores se compadecem da minha situação. Mas já vou preparada, aqui em Campinas quase todas as concessionárias pertencem a um mesmo dono. E como eu não sou muito chegada do Todo Maldoso, acho que o jeito é sorrir, entregar o carro e pedir desculpas por existir. É como dar a bunda e ainda pedir desculpas por estar de costas.
Amanhã vou preparada, munida de estaca, água benta e muito alho. Tenho medo que dada a minha falta de talento para negociações financeiras (mais conhecida como burrice) além de não conseguir vender o carro, um daqueles vampiros sanguinolentos acabem me convencendo a sair de lá com mais um carro novo. Vai saber? Aquilo não é coisa de Deus não gente…ô loko.
Amém gente!
“A rua continua, matando substantivos, transformando a significação dos termos, impondo aos dicionários as palavras que inventa, criando o calão que é o patrimônio clássico dos léxicons futuros.”
João do Rio
Quando o jornalista e escritor Paulo Barreto escreveu este trecho de “A alma encantadora das ruas” sob o pseudônimo de João do Rio, definiu muito bem as transformações pelas quais a língua portuguesa passaria. Mas Paulo faleceu em 1921. Nem em seus piores pesadelos ele imaginou encontrar um ser de franja alisada na chapinha que escrevesse: “Minha miguxa escreve axim”. Paulo não chegou a ter msn e nunca soube que as pessoas criariam um novo código de escrita imposto pela pressa de “tc c varias pax ao mesmo tempo”. Ele não viu nada disso. Sorte a dele.
O que vai sobrar da nossa cultura?
Nunca entendi muito bem essa história de como as pessoas podem (e acredite, o fazem sem nenhuma restrição) danificar com absoluto descaso a nossa língua padrão. Não acredito que erros aparentemente simples, como não concordar sujeito e verbo, nos obrigue a ouvir “pérolas” do tipo: “Falta dois real”, “Nóis resolve”, “Se eles for”, etc. Tentando entender as razões que poderiam explicar o desvio, encontro nos regionalismos, gírias e linguagens virtuais (apesar de não serem os únicos), grande parcela da culpa pelo empobrecimento da nossa cultura. Isso explica o fato de pessoas que, embora nascidas e criadas dentro da língua, que estudaram ou não, acostumem-se a utilizar formas erradas de expressão.
Nosso país não possui um nível de educação invejável, bem é verdade, porém não é impossível adquirir um pouco de conhecimento através de outras alternativas, como por exemplo, assistindo televisão, lendo, ou simplesmente conversando com outras pessoas. É preciso ficar atento para que a nossa língua não seja tragada por formas alternativas de expressão, pois é exatamente assim acredito, que surgem os vícios de linguagem.
Algumas das transformações pelas quais passam a nossa língua são úteis e facilitam a nossa vida, imagine se nós nos dias de hoje ainda tratássemos as pessoas por vósmecê, por exemplo? A língua padrão não pode ser baseada no uso corrente das expressões. As pessoas possuem muito mais acesso a cultura nos dias de hoje. Ficar reclamando e esperando que apenas o governo providencie recursos é desculpa rasgada para esconder a indolência, a falta de interesse em buscar o conhecimento onde ele está.
“Quem teria sido o primeiro atendente de telemaketing que “estaria tentando encontrar uma solução para estar entrando em contato com o cliente?”
Muitas dessas expressões são tão freqüentemente usadas que acabam sendo incorporadas e repetidas como mantra. Algumas linguagens que como identidade de um povo ou grupo social, podem e devem existir, mas é muito além disso. A falta de uma educação de bases sólidas, associada ao convívio com gírias e linguagens virtuais contribui para o surgimento dos vícios de linguagem. O que explicaria o fato de alguém dizer, por exemplo, “pobrema” ao invés de problema, ou frases do tipo : “Hoje estou meia cansada”, “tenho menas curiosidade”, e por aí vai.
Nós mulheres ainda não nos demos conta do poder que temos, se não fosse assim, já teríamos dominado o mundo. Eu concordo com Vinícius, “Uma mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza”, mas independente de suas virtudes, elas seduzem. As inteligentes assustam, as menos favorecidas comovem, mas invariavelmente as mulheres possuem poder, isso é inegável.
Fico extremamente feliz quando encontro um homem que aprecie uma mulher inteligente. Não porque eu seja feinha ou muito inteligente, mas porque se eu encontrar um homem que prefira andar por aí ostentando um par de orelhas de abano, é porque ele não serve pra mim.
Se todas nós possuímos certo charme, porque que não conseguimos então conquistar aquele normal, que nós julgamos tão complexos e que é, justamente, o objeto de nossa afeição? A resposta parece difícil, mas é bem simples: Porque nos apaixonamos.
Ah, a paixão, é ela que faz com que mesmo obstinadas e sedutoras nos tornemos alvo fácil. Se passamos a amar então, o estrago pode ser ainda maior. Parece incrível, mas nossa decadência começa exatamente aí. Fazemos tudo certo até nos apaixonarmos e perdemos aquele ar de mistério e sedução que é ingrediente indispensável para tê-los em nossas mãos. Quer um exemplo? Quando um homem se apaixona de verdade por uma mulher ele não demonstra, ele faz tudo o igual, não exibe o sentimento como se fosse uma roupa nova.
E as mulheres? Quando uma mulher se apaixona, é um Deus nos acuda! Ela acorda pensando nele, escova os dentes e toma banho pensando nele. Sempre que vê alguma coisa se lembra dele, comenta com as amigas que estão perto e liga para aquelas que não estão. Tudo bem somos mais emotivas, mais intensas, mais melodramáticas e tal, mas que saibamos ser sem demonstrar tanto, afinal, porque só conseguimos fazer um homem se apaixonar perdidamente por nós quando não gostamos mais dele? Por isso, é exatamente quando surge amor, que nós colocamos tudo a perder. É quase uma Quadrilha: “João amava Tereza, que amava Raimundo, que amava Maria, que amava Joaquim e por aí vai…”
Não estou dizendo que para um relacionamento dar certo não deve haver sentimento, não é isso. Acredito que ao supervalorizar os relacionamentos e idealizar as pessoas colhemos um resultado frustrante quase sempre. Devemos nos apaixonar sim, devemos nos permitir viver as sensações boas que um relacionamento pode nos proporcionar, mas não podemos amar alguém acima de qualquer coisa. É um fardo pesado demais. Vira um nó quando deixa de ser um laço. Apaixonar-se é muito bom, sentir aquele arrepio na espinha, frio na barriga, coração acelerado e tudo de bom que o sentimento nos proporciona. Minha intenção não é desmerecer os sentimentos, mas sim usar esses sentimentos a nosso favor e não contra. Aprender a lidar com os sentimentos não só pode nos proporcionar felicidade e sucesso, como principalmente evitar tanto sofrimento desnecessário. Afinal no fim não há nada pior do que gostar de quem não gosta da gente.
Segunda-feira a noite comida japonesa e um frio na barriga que eu nem sequer pensei que voltaria a sentir. Não foi a comida japonesa que me causou o frio na barriga. Era aniversário de um grande amigo, escolhemos o restaurante porque a comida é muito boa. Chegamos eu e Bruce Willis e ficamos aguardando que os outros convivas chegassem. Adoro comida japonesa. Passei a tarde esperando pela hora do aniversário. Outros convidados chegaram, uma delas trazendo a coisa mais linda, A Lalá Pizzaiola esbanjou simpatia. Deve ser nessas horas que uma mãe olha e tem a mais absoluta certeza de que tudo vale a pena. Acho que o meu instinto materno está querendo dar o ar da graça por aqui. Não deixo ein? Sai desse corpo. Mas basta um sorrisinho da pequena pra eu me derreter toda e me pegar pensando, ah, mas e se? Sossega menina, ainda não chegou a hora.
Mais convidados, mais comilança, e esta em particular não deixaram nada a desejar. Matei o desejo da comida japonesa, dois cigarros e um café.
Quando eu assisti Serendipity (escrito nas estrelas), fiquei encantada. Havia uma personagem tão trouxa suspirante quanto eu. No filme, a Sara (Kate Beckinsale), tenta convencer o Jon (John Cusack) de que eles só deveriam ficar juntos se ela recebesse algum sinal dos céus de que eles devem ficar juntos. Uma sucessão de desencontros e é claro a pitada certa de romantismos e cenas melosas. O filme é lindo. Eu tenho o DVD e assisto sempre, não me canso. Na verdade eu sempre fico esperando um sinalzinho dos céus, um momento mágico, uma coincidência estranha ou qualquer coisa que possa transformar o acaso na pitada de romantismo dos filmes que eu gostaria que a minha vida tivesse.
Depois de alguns anos achando que um dia a minha vida poderia ser como um filme de amor, o máximo que eu consegui foi uma comédia rasgada. Estou um pouco grandinha para ficar esperando os sinais dos céus né? Dizem que deus trabalha de forma misteriosa, qual o segredo de um pombo cagar na minha cabeça?
Voltando ao restaurante, terminada a refeição fui fumar um cigarro. Voltei pra mesa e nisso, eis que eu reconheço aquelas costas. Eu conheço, ô se conheço. E peraí? Porque ele não passou quando eu estava lá fora? Poderia falar oi, agora ele tava de costas, já era. Foi aí que eu tentei agir naturalmente e conversar com os amigos. Só que um frio gelado do Alaska resolveu se instalar nas minhas barriga. Eu não conseguia agir naturalmente e nem falar muita coisa. Lembrei-me do Bentinho de Machado de Assis: “Toda eu era olhos e coração, um coração que desta vez ia sair, com certeza, pela boca.”
Para mundo que eu quero descer! Eu não deveria estar assim gente. Não deveria mesmo. O que eu queria? Que por uma coincidência do destino ele me visse e acometido por um arroubo de paixão saísse correndo atrás de mim no meio do restaurante? Acorda menina! Isso não rola, só acontece em filme mesmo. A cena clássica do aeroporto onde o galã sai correndo atrás da mocinha e nem Murphy consegue impedir que eles fiquem juntos. Isso definitivamente não rola, ou rola?
No fim das contas, ele nem me viu. Ele foi embora, e eu fiquei lá, pensando:
Devemos deixar a nossa vida por conta do acaso ou toda e qualquer atitude nossa pode mudar o rumo dos fatos?
Mas sabe como é, como dizia Drummond : “Essa bebida, essa lua, deixam a gente comovido que é o Diabo”
Hoje eu estou melancólica, portanto pode ser que este texto não seja desprendido desse sentimento, mas vou tentar me conter, eu juro que vou.
Dias virão em que aprenderemos a lidar com algo que hoje é ainda muito difícil. A perda. De todas as definições do dicionário para a palavra uma delas me intriga, diz que perder é ser privado de algo que se possuía. Podemos perder algo que nunca foi de fato nosso?
Podemos perder a todo momento. Perder de vista, perder a hora, ou perder alguém, mas não podemos nos perder de nós mesmos. Exceto pela morte que é a mais triste das perdas, no que se refere ao restante a perda serve como uma nova oportunidade de analisar os nossos erros, acertos e é uma oportunidade para abandonar algumas ilusões.
As ilusões do mundo estão aí a todo o momento. Os pais, na busca desenfreada de proteger sua prole agem, ainda que inconscientemente como se eles fossem sua propriedade. Na intenção de ajudar criam filhos despreparados para o mundo. Namorados, casados agem como se recebessem uma escritura de propriedade de seus cônjuges logo que iniciam um relacionamento. Até nas empresas os gestores agem como funcionários fossem escravos e se apoderam não só de suas competências como também de sua vida pessoal, horários e tudo o mais. Mera ilusão, nada que existe no mundo é nosso. Podemos ter tudo temporariamente, mas nosso mesmo? Quase nada é verdadeiramente nosso.
O mais importante é aprender que o desapego nos transforma em criaturas bem melhores. Nos poupa de dores e sofrimentos desnecessários. Atribuir a cada coisa apenas o seu valor devido, nem mais e nem menos.
Perder é doloroso, mas faz parte do processo de amadurecimento. Ainda que as feridas demorem a cicatrizar existe um tempo certo para tudo. Um tempo para perder, um tempo para assimilar a perda e um tempo para lamentar. Depois disso, as coisas seguem seu curso natural ensinando que muitas vezes abrir mão de algo é na verdade abrir apenas uma fresta, um espaço.
O mundo vive em constante transformação não seria lógico que em nossa vida acontecesse o mesmo processo? Devemos encarar a perda não como um estágio final, mas como um processo de transformação.
Podemos lidar com todas as perdas e podemos tirar grandes lições se quisermos, podemos perder uma série de coisas e conquistá-las novamente mais tarde. Não podemos nos perde de nós mesmos, mas podemos abrir mão de algumas coisas que não se encaixam mais na nossa vida. Podemos passar a vida lamentando a perda, ou podemos olhar pra frente e esperar o momento exato de entendê-la como necessária.
No fim, continua sendo uma questão de escolha.
Domingo e uma ressaca que estava deixando minha cabeça zonza. Acredito que uma das piores sensações do mundo seja aquela de fazer uma coisa quando o sol já se pôs e arrepender-se tão logo os primeiros raios dele despontem no horizonte. Beber vinho é um dos meus grandes arrependimentos. Eu tenho certeza de que fiz Baco se revirar após sorver sem nenhuma cerimônia algumas taças de sua bebida favorita.
Com a Lei Seca, se me param no sábado já mando fazer o teste do bafômetro direto no meu tanque do carro, lá com certeza o índice de álcool seria bem menor.
Nossas autoridades estão preocupadas em provar que a Lei Seca tem funcionado bem e evitado uma série de acidentes nos últimos tempos, porém apesar de achar isso extremamente louvável, sei que 30% dos acidentes de trânsito são causados por pessoas embriagadas, isso nos leva a assustadora estatística de que 70% dos acidentes são causados por pessoas sóbrias! Meu Deus! Aonde vamos parar? Aproxima de mim esse cálice, senhor!
Pois muito bem, partindo do princípio que a maioria das pessoas que se envolve em acidentes está sóbria, minha preocupação se volta para uma outra questão. Existem duas coisas que definitivamente não combinam: álcool e celular.
Os acidentes causados por essa combinação muitas vezes atinge um nível catastrófico e irremediável.
Não adiantava chorar pelo leite derramado, uma vez que você escreve e aperta a porra do botão enviar, fodeu! Nada no mundo é capaz de fazer aquele ato voltar. Na verdade, antes de conseguirmos enviar mensagens de texto pelo nosso celular deveria ser obrigatório o preenchimento de um questionário rigoroso para completar a tarefa.
Imagine só que beleza. A pessoa vai enviar uma mensagem da qual ela provavelmente de arrependeria e aí na tela do celular aparecem perguntas seqüenciais sobre política, negócios, o mundo de hoje e ela tem que responder. Ao responder cada uma das perguntas o Sêo Silvio aparece perguntando se ela tem certeza que deseja enviar, pergunta se precisa de ajuda, se está certa disso, anuncia um filme inédito na sessão das 10 e volta à pergunta inicial.
Tenho certeza de que não haveria mensagem que resistisse à isso.
Outra alternativa, seria ter o celular confiscado logo na entrada do bar. As pessoas deixam o celulares com a Babá Cel, que fica encarregada de anotar os recados e chamar no caso de alguma emergência.
Se nada disso funcionar os guardas do bafômetro podem aproveitar para interrogar os suspeitos na saída dos bares. Ligações, mensagens de texto para o ex e lamentações sem precedentes teriam cada qual a sua multa pré-estabelecida. Caso as pessoas se recusassem a cooperar, ao invés de receber pontos na carteira, poderia receber pontos na cabeça, após levar um tabefe e um sermão do Seu Guarda. Duvido que a gente ia fazer essas cagadas denovo.
Enfim, depois que faz não adianta mais tentar contornar, o melhor era enfiar a cabeça embaixo dos edredons e assistir qualquer coisa que estivesse passando na TV.
Parada certa e obrigatória, um canal-de-filmes-água-com-açúcar-qualquer, afinal qualquer coisa poderia ser uma boa distração. O filme era um daqueles onde o cara se apaixona por uma moça para quem inventou uma mentira. As voltas com a confusão, ele ainda tem que terminar uma experiência onde ficou incumbido de fazer a moçoila se apaixonar por um computador. Eu sei que a história é um tanto quanto tosca, mas o filme, a química do amor, tem uma parte muito interessante
Lá pelas tantas, o galã do filme me faz refletir, quando assertivamente faz uma comparação entre os computadores e nós, pobres mortais. Ele diz que o que nos diferencia de máquinas é a capacidade que nós temos de não fazer tudo certinho, controlado. Na verdade o que nos diferencia das máquinas é nossa capacidade de fazer besteiras e coisas idiotas, impensadas.
Mermão se fazer coisas estúpidas nos define como seres humanos eu sou a rainha da raça humana com certeza. Poderia ganhar o troféu da burrice agora mesmo. E nem o filme me poupou de me lembrar disso, eita!
Celulares devem ser coisa de Satanás, além de dono de banco, com certeza ele também investe no ramo de telefonia. Vá de reto… afasta de mim esse aparelho Senhor…
Quando eu ainda era apenas um projeto de gente lá na fila da existência terrena, os organizadores da bagunça fila perguntavam a cada um que passava que profissões eles gostariam de ter. Por algum erro de planejamento celeste eu nasci burro de carga. Acho que um daqueles anjinhos peraltas olhou e perguntou:
Menina o que você vai querer ser lá na terra: No que eu respondi: Publicitária! Jornalista, algo assim. Se ele não era surdo, com certeza fingiu que entendeu: Otária, diarista, algo assim…
Enfim, acho que por culpa daquele FDP do céu estou aqui assim meio desorientada.
É por isso que um amigo sempre me diz que se precisarem de uma pessoa pra ser cagada (não literalmente, ufa!) eu não sirvo, excedo a qualidade. As pessoas comentam sobre aqueles dias em que tudo dá errado e você chega a conclusão de não deveria ter sequer levantando da cama. Eu considero essas pessoas criaturas de sorte porque eu nunca tenho um dia em que as coisas dão errado, quando isso acontece eu ganho sempre uma semana inteira.
Eu não sei quem é que controla as coisas aqui em baixo, mas seja quem for pode ter certeza que não está fazendo um bom trabalho comigo, inclusive eu gostaria de ter um particular com a criatura incompetente master que desempenha essa tarefa. Se Deus existe meu bem, eu devo ser o seu reality show favorito.
Pra começar a maravilhosa semana, resolvi dar uma espiadinha na minha conta bancária. Eu sei que não se deve começar a semana checando o saldo no banco, mas eu precisava encarar o problema de frente, que estava negativo eu já sabia, mas eu precisava saber o montante real da coisa.
Após passar por um sem número de constrangimentos na porta giratória, diversão garantida dos guardas do banco, não pude conter o grito de horror,! Nem em “A Paixão de Cristo”, com toda a carnificina eu vi tanta tinta vermelha junto. Mas, resolvi ser otimista e apelar para a única pessoa que poderia me tirar daquela situação desastrosa (lê-se: me enforcar ainda mais)
Levei o meu segundo golpe. Apesar de todos aqueles sorrisinhos e mimos que a gerente do banco me oferecia quando a minha conta era vinculada a uma grande empresa, agora que eu era apenas uma devedora qualquer, marginalizada. Descobri a duras penas que a gerente do banco não é minha amiga. Na verdade a gerente do banco trabalha para Satanás. Com isso não preciso nem me dar ao trabalho de dizer que Satanás é o dono do banco, certo? Tudo bem que a minha conta está no vermelho desde mil novecentos e calça boca-de-sino, mas precisava falar daquele jeito? Pois muito bem, a gerente do banco entraria na lista das pessoas para as quais eu rezaria, e eu iria embora com um pouco de dignidade. Passei pela porta giratória, dessa vez sem os constrangimentos da entrada.
Resolvi desencanar de pensar em dinheiro, afinal de contas eu tinha um emprego, um salário e dali a algum tempo conseguiria colocar as coisas em ordem. Bastaria me apertar um pouco. Alguém aí tem uma prensa?
Pois muito bem, voltei ao trabalho afinal de contas no dia seguinte eu receberia o meu salário bonitinho e ainda com um pequeno aumento que eu deveria receber já este mês. E não é que no dia seguinte o dinheiro realmente caiu na minha conta? Mas estranho, deve ter havido algum engano, pois exatamente o valor do aumento não havia sido depositado. Conversa com o RH, e-mail para financeiro. Resolveu? Até o momento não. Pediram para que eu espere um pouco, eu tonta que sou, espero, mas e o Lúcifer do banco? Espera?
Enquanto eu espero, ninguém me dá um descanso. Começou a chover trabalho na minha mesa.
Eu imagino que lá pelas tantas, céu e inferno deveriam estar com seus aparelhos de sintonizados na minha vida. Juro que me senti dentro de um vídeo-game. Quase pude ouvir Jesus Cristo falando com o joystick na mão: Ó, se você apertar esse botão aqui, ela tropeça, se você combinar o x e a bolinha, o salto do sapato dela quebra e Deus lá e cima monitorando tudo. Aki ó, se você apertar o botão da direita uma pomba caga na cabeça dela…gargalhadas sonoras eu tenho certeza que ouvi.
Quinta-feira, pra quase fechar com chave de ouro, acho que saiu uma versão nova do malfadado joguinho de vídeo game protagonizado por essa alma errante que vos escreve. Certeza que estavam todos reunidos em volta do PS10-mega-ultra-power-moderno que tem lá no céu. Amém Gente Simulator deve ser o nome do jogo. Amém!
Fui fazer um evento que tinha tudo pra dar errado segundo alguns profetas. No início da montagem, a tenda quase despencou na minha cabeça. Fiquei uns 15 minutos segurando a estrutura ali parada, sem poder me mexer. Tive que abaixar pra retirar o adesivo do carro que tinha ficado ruim e quase morri de vergonha quando percebi que tinha uns 8 seguranças que podiam estar enxergando a casa da moeda exibida pela minha bunda. Não bastasse isso, eu tive que recepcionar os convidados que chegaram mais cedo na porta de camiseta, calça jeans e coque no cabelo. Uns eu acho que quase me deram umas moedas achando que eu era pedinte.
Algum querubim traquinas deve ter descoberto uma nova combinação de botões no joystick e foi quando quando caiu o bagulho da força e apagaram-se as luzes do salão. E quando eu achava que nada mais poderia acontecer, fui dar carona para um fornecedor e peguei o caminho errado, meia hora depois de um grande rolê nos Amarais (lugar que eu achei que nem existisse de verdade), encontrei enfim um ponto de táxi. Não tive dúvidas, enfiei o cara no táxi e fui embora.
Precisava encontrar um lugar seguro para me esconder dessa palhaçada toda, resolvi ir para o bar, afogar as mágoas na cachaça.
Ninguém merece…

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