Como toda e boa aspirante a escritora que se preze, resolvi ir a campo pesquisar antes de iniciar um novo texto. Sem um novo assunto empolgante e descrente que estava das previsões “horoscopianas” (conforme relatado no último texto), decidi investigar outros métodos advinhatórios existentes no mercado de oráculos hoje em dia, mercado este em franca expansão, eu diria. Como boa publicitária devo confessar que uma de minhas intenções era também a de analisar a concorrência caso resolvesse levar a tenda de Mãe Kiki as vias de fato.
Abri a as páginas no jornal da cidade, onde certamente encontraria alguma boa indicação e busquei algum lugar que me transmitisse alguma confiança. Simpatizei com um anúncio um logo de início. Era um anúncio grande, o que indicava que o negócio estava prosperando, afinal de contas um anúncio naquele jornal está pela hora da morte, bem sabemos. Além disso D. Mirtes devia ser uma senhorinha simpática. Olhei o endereço e lá fui eu em busca de material para um novo texto.
Logo que entrei D. Mirtes me recebeu com absoluta simpatia. Iniciei a conversa explicando logo que estava ali com o objetivo de pesquisar o univeso místico do ofício de D. Mirtes. Terminada a nossa conversa, D. Mirtes se ofereceu para ler cartas e me dizer o que estava reservado para meu futuro. Pensei que não haveria mal nenhum em dar uma espiadinha, como forma de complementar o caráter empírico daquela experiência.
Após uma meia dúzia de informações, quase caí da cadeira quando D. Mirtes começou a descrever uma cermônia religiosa, da qual eu, toda vestida de branco protagonizaria dentro em breve. Como assim eu vou me casar D. Mirtes? A senhora deve ter se confundido, jogue novamente. Nem sequer um namorado eu tenho, isso está completamente fora das minhas possibilidades no momento. Veja direito aí.
D. Mirtes, atendendo ao meu pedido confirmou nas cartas e afirmou categoricamente que haveria um casamento em meu caminho, e dentro em breve para o meu desespero.
Saí de lá sem saber se acreditava ou não na previsão e fui encontrar uma amiga para narrar o acontecido. Cheguei no café e comecei a rabiscar algumas linhas do texto ao qual havia me proposto a escrever e nada, absolutamente tirava a idéia de um matrimonio da minha cabeça.
Sozinha, enquanto esperava a chegada, comecei a olhar em volta em busca de alguém que potencialmente pudesse ser o noivo, afinal de contas se eu ia me casar dentro em breve, precisaria providenciar esse item do evento o quanto antes.
Olhei em volta. Um senhorzinho beirando uns 70 anos, um executivo e sua esposa, além de um grupinho de jovens ao qual observei atentamente para ver se por acaso o meu futuro cônjuge não estaria entre eles. A amiga chegou e tirou-me daquele momento de devaneios no qual eu me encontrava e ficou aguardando que eu lhe explicasse a razão da minha aflição ao telefone. E foi a vez dela quase cair da cadeira quando eu anunciei que dentro em breve eu iria me casar.
Passada uma semana do acontecido eu havia me transformado na noiva em potencial, andava a todos os lugares a procura da minha alma gêmea como quem espera a volta do Messias, sites de casamento, noivado, listas de presentes e lua de mel povoavam a minha mente…
Continua…

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